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Air France/Greve

Pilotos da Air France travam braço de ferro para manter salários

Air France calcula em até 15 milhões de euros os prejuízos de cada dia de greve.
Air France calcula em até 15 milhões de euros os prejuízos de cada dia de greve. REUTERS
Texto por: Patricia Moribe
9 min

A greve de pilotos da Air France entrou no terceiro dia nesta quarta-feira (17). A empresa calcula um prejuízo de até € 15 milhões (cerca de R$ 45 milhões) por cada dia de greve. A reivindicação é a de um contrato único para pilotos de todas as companhias do grupo, diante dos planos de investimentos nas unidades low cost, o que é traduzido pela categoria como perda salarial e de benefícios.

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Uma fonte interna da Air France informou à agência France Presse que o custo horário dos pilotos é 40% mais elevado na Air France do que na low cost Transavia. Isso é em relação às horas voadas, pois segundo um levantamento do jornal Aujourd’hui em France, os salários são idênticos na concorrência. No entanto, os pilotos da empresa francesa voam menos horas por mês.

Para se ter uma ideia de como é a situação no Brasil, conversamos com Rodrigo Spader, piloto e diretor da Secretaria de Regulamentação e Convenção Coletiva do Sindicato Nacional dos Aeronautas. Se na Air France o salário médio de um co-piloto iniciante é de cerca de € 6.250,00 por mês (cerca de R$18.750,00), no Brasil a remuneração base varia entre R$ 5.000 e R$ 8.000, dependendo da empresa e do aparelho voado.

“Uma parte do salário é fixa e a outra é variável”. Ele explica que um motivo de descontentamento da categoria é que a parte fixa é muito baixa e que a maior parte do salário vem de comissões. Spader cita outros problemas, como as grades horárias impostas pelas empresas, e os salários achatados nos últimos dez anos, principalmente pelo fechamento de empresas mais antigas, como Varig, Vasp e Transbrasil.

Outra grande diferença no ritmo de horário entre um piloto da Air France e um brasileiro são o número de dias de férias por ano e os dias de descanso obrigatório por mês. Na empresa francesa, os os aeronautas têm 45 dias de férias e 13 de descanso por mês. No Brasil, são 30 de férias e oito de descanso por mês. “Ao longo do ano, um piloto brasileiro tem cerca de 25 dias a menos de descanso”, calcula Spader. “Isso influi diretamente na segurança de voo”.

Low cost

As reivindicações europeias e brasileiras têm oceanos de diferenças, mas por enquanto os pilotos brasileiros não sofrem a ameaça de empresas low cost, que conseguem baixar custos e aumentar rendimentos, achatando também os salários dos funcionários, como argumentam os sindicatos franceses.

A instalação de empresas desse gênero no Brasil enfrenta muitos obstáculos, como explica o advogado Guilherme Amaral, especialista em direito aeronáutico. “Além de o Brasil já ser conhecido como um país de alto custo operacional, há muitos entraves regulatórios”. O exemplo da Gol é notório - a empresa tentou no início tentou praticar preços mais competitivos, mas que acabou alinhando as tarifas aos das empresas tradicionais, por causa do alto custo operacional.

“O Brasil tem uma defesa do consumidor que briga por benefícios, que são chamados de direitos, o que dificulta a implantação de um sistema low cost europeu”, diz Amaral. O advogado cita, por exemplo, a impossibilidade de se impor um preço apenas pelo assento, que na Europa pode ser oferecido a preços bastante acessíveis. O passageiro, no caso, paga por “extras”, como mala no bagageiro. No Brasil, a franquia de bagagem é obrigatória.

Reportagem 17/09/2014

 

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