Correio dos Ouvintes para o Brasil

Costumes e tradições da Páscoa europeia no Correio dos Ouvintes

Áudio 10:39
Banho com balde água fria é tradição na Páscoa húngara. Rito tribal de fertilidade.
Banho com balde água fria é tradição na Páscoa húngara. Rito tribal de fertilidade. REUTERS/Laszlo Balogh

No nosso programa desta semana vamos conhecer os costumes europeus para comemorar o dia da Páscoa, símbolo de resnacer. Período em que os equinócios e os solstícios se situam a meia estação. A Páscoa não é uma festa com data fixa. Mas é sempre comemorada no primeiro domingo que segue ou coincide com a primeira lua cheia depois do dia 21 de março. Católicos e ortodoxos comemoram a ressurreição do Cristo.

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Páscoa na Europa

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No norte da Europa, na Suécia, antigamente acreditava-se que a primavera era um período onde forças malignas se espalhavam pelo país. Crenças que foram diminuindo e as forças do mal foram transformadas em simples brincadeiras, onde o costume é que as crianças se fantasiem de bruxas da Páscoa, as chamadas "Påskkäringar". Vestidas com saias compridas, lenços na cabeça e levando um bule na mão, as crianças visitam as casas de vizinhos e parentes pedindo doces, guloseimas e moedinhas.

Em alguns lugares da Suécia, fogueiras são acesas e solta-se fogos de artifícios para espantar os maus espíritos e as bruxas que voam pelo céu neste dia.

Misturando tradições pagãs e religiosas, no caso da Suécia, protestante, o símbolo da Páscoa sueca é um buquê feito com galhos de bétula decorado com penas ou ovos feitos de papel.

Um dos países que mais leva em consideração a celebração da Páscoa é a Grécia.

A festa da ressurreição do Cristo não é feita no domingo de Páscoa mas na véspera. Os fiéis chegam na igreja com uma vela sem estar acesa.

Todas as luzes da igreja estão apagadas. Este escuro é para simbolizar o túmulo do Cristo.

Quando toca a última badalada da meia-noite, o padre acende uma vela anunciando uma nova era e todos acendem pouco a pouco suas velas iluminando toda a igreja.

 Ovos, sinos e coelho

Para as crianças, Páscoa tem todo um outro significado, com os chocolates sejam sob forma de coelho, ovos ou sinos. A tradição na França é de se esconder doces nos jardins para que as crianças saiam a sua procura no dia da Páscoa. Para quem não tem jardim, há vários lugares públicos que organizam esta busca aos ovos de Páscoa em castelos e parques, as crianças saem à procura dos doces com seus cestinhos.

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No dia da Páscoa, há uma brincadeira, o äggpickning, feita com ovos cozidos e decorados onde os adversários se enfrentam batendo um ovo contra o outro. O vencedor é aquele que consegue ficar com a casca do ovo intacta, ou seja quem tiver o ovo quebrado perdeu. Esta brincadeira é um costume nos países europeus de religião ortodoxa, como a Bulgária.

A figura do coelho está simbolicamente relacionada à Páscoa, já que este animal representa a fertilidade.

Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época onde o índice de mortalidade era altíssimo.

Os povos germânicos associaram o culto à deusa Ostara, deusa da fertilidade aos coelhos. Os mais antigos registros sobre esta tradição alemã do coelho que traz os ovos para as crianças, data de 1678.

Depois do coelho, temos os sinos da Páscoa. Assim, no sudoeste da França e na Bélgica, os sinos ficam sem tocar desde a quinta-feira santa, simbolizando o luto. Costuma-se dizer para as crianças que os sinos foram embora para Roma e que só voltam no domingo de Páscoa e, por onde passam, deixam cair ovinhos de chocolate.

 

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