Espionagem/Brasil

“É inadmissível ser espionado”, diz ministro antes de encontro entre Dilma e Obama

Ministro da Defesa, Jaques Wagner, diz que Brasil vai dar continuidade à luta contra a espionagem.
Ministro da Defesa, Jaques Wagner, diz que Brasil vai dar continuidade à luta contra a espionagem. Wikipedia/CreativeCommons

A poucos dias do encontro entre a presidente Dilma Rousseff e o chefe de Estado norte-americano, Barack Obama, o ministro da Defesa, Jaques Wagner, avisa que o governo brasileiro vai manter a luta contra a espionagem. Os dois líderes se reunirão durante a Cúpula das Américas no Panamá, que começa nesta sexta-feira (10).

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Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

"É inadmissível a gente ser vistoriado ou espionado por qualquer país. E nós vamos continuar a defender a nossa autonomia e a não admitir que empresas ou figuras da importância da presidente da República estejam na lista de qualquer espionagem de qualquer país que seja", ratifica o ministro.

Em 2013, Dilma cancelou uma viagem a Washington para se reunir com Barack Obama na Casa Branca, depois da revelação de que os Estados Unidos tinham espionado a Petrobras e a própria presidente.

Em fevereiro, o jornal The New York Times revelou supostas novas operações de espionagem sobre o Brasil. Mas, segundo o ministro Jaques Wagner, o governo norte-americano garantiu o caso não passou de uma "especulação de um jornal".

"Mais recentemente saíram novas notícias sobre isso num jornal norte-americano. Com os Estados Unidos, houve uma conversa, da qual eu não participei, com a presidente da República. Nessa reunião,  foi garantido a informação do jornal foi apenas uma especulação. Essa a posição do governo norte-americano", explica.

Como ministro da Defesa, Jaques Wagner fez a sua primeira viagem ao exterior à Argentina para uma reunião de trabalho com seu colega argentino, Agustín Rossi. Os dois países têm desenvolvido uma série de ações conjuntas, inclusive na área da defesa cibernética. O principal assunto da reunião foi o projeto do avião militar KC-390, desenvolvido pela Embraer numa parceria entre Brasil, Argentina, Portugal e República Tcheca.

Manifestações contra o governo

Como um dos históricos pilares do Partido dos Trabalhadores, Wagner, fez uma análise sobre as manifestações populares previstas para o próximo domingo, organizadas por grupos contra Dilma. "Acho que os protestos pertencem ao direito de manifestação dos organizadores. O que eu sinto falta é de uma bandeira propositiva nesse processo", refletiu o ministro.

Para ele, a bandeira deveria ser a de uma reforma política. "Não com 10, 20 ou 30 pontos, mas com 3, 4 ou 5 pontos porque eu creio que é disso que a gente está precisando para fortalecer a democracia brasileira.", acredita.

De acordo com o ministro, é necessário debater sobre o fim das coligações proporcionais, limitar ou zerar o investimento privado nas campanhas eleitorais, acabar com a barganha do tempo de televisão e reduzir os gastos de campanha. "São questões que temos que abordar, caso contrário, vamos tomar um susto a cada dois, três anos. E, desta forma, não aprofundamos ou, pelo menos, não amadurecemos a democracia brasileira", conclui.

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