Brasil/Corrupção

Imprensa europeia destaca prisão de Vaccari e evolução da corrupção no Brasil

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi preso em São Paulo e transferido para Curitiba.
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi preso em São Paulo e transferido para Curitiba. Roosewelt Pinheiro/ABr/Arquivo

Os sites do jornal francês Le Monde e da revista semanal Le Point foram os primeiros a divulgar, na França, a prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Detido pela Polícia Federal em São Paulo e transferido para Curitiba, "Vaccari é suspeito de ter recebido propina e de lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção na Petrobras", afirma o Le Monde. O jornal destaca que Vaccari declara ser inocente.

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O site da revista semanal Le Point diz que a "justiça brasileira acusa Vaccari de ter recebido fundos provenientes de contratos fraudulentos da Petrobras e de ter contabilizado essas verbas como doações à campanha do partido". Ele será julgado em breve, junto com outras 26 pessoas, escreve Le Point.

A imprensa francesa acompanha com interesse o escândalo de corrupção na Petrobras. "O caso sacode o governo brasileiro e provoca indignação na população", afirma Le Monde. Segundo a polícia, em dez anos, o esquema de comissões cobradas nos contratos da Petrobras com empreiteiras movimentou US$ 4 bilhões.

Diretores corruptos

Na Espanha, o jornal El País relata que Vaccari está sendo investigado por sua "suposta participação em um esquema no qual empresas suspeitas de pagar subornos a ex-diretores corruptos confessos da Petrobras eram obrigados a fazer doações ao PT".

El País lembra que o tesoureiro do partido da presidente Dilma Rousseff prestou depoimento a uma CPI do Congresso, na semana passada, e negou todas as acusações que são feitas contra ele.

FT diz que corrupção virou negócio de alto risco

Mais cedo, antes da prisão de Vaccari, o site do jornal britânico Financial Times (FT) publicou um texto crítico sobre a evolução da corrupção no Brasil. O diário diz que, "na década de 1980, a corrupção no Brasil era um caso simples". O principal desafio para qualquer executivo encarregado de pagar um suborno era encontrar dinheiro suficiente com doleiros para realizar os acertos, diz o Financial Times.

"Na época em que o Brasil mudava sua moeda frequentemente, as propinas em dólares eram consideradas as únicas que valiam a pena receber ", afirma o diário britânico. O escândalo na Petrobras mostra, no entanto, que a "corrupção tornou-se um negócio de alto risco no Brasil".

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