Brasil/Política

Prisão de tesoureiro é mais uma página sombria na história do PT, diz Le Monde

O tesoureiro do PT, João Vaccari, sendo levado pelos policiais.
O tesoureiro do PT, João Vaccari, sendo levado pelos policiais. REUTERS

A prisão do tesoureiro João Vaccari no âmbito da investigação do escândalo de corrupção da Petrobras é mais um duro golpe na imagem do Partido dos Trabalhadores. A constatação é do jornal francês Le Monde, que chegou às bancas na tarde desta sexta-feira (17) com um longo artigo para avaliar o impacto da detenção de Vaccari para o PT e também para o governo. 

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A prisão atingiu em cheio o partido da presidente Dilma Rousseff, escreve o vespertino francês. Segundo Le Monde, ainda é cedo para avaliar as consequências da notícia para o agravamento da crise que atinge a classe política brasileira, mas a prisão deste "homem forte" do PT torna ainda mais sombria a imagem do partido e do governo Dilma, "que já está com índices baixíssimos de popularidade".

O jornal informa a seus leitores que João Vaccari é acusado de lavagem de dinheiro e de comandar um vasto esquema de distribuição de propina entre 2004 e 2014. Ele já havia sido preso e liberado no dia 6 de fevereiro, véspera de comemoração dos 35 anos de fundação do PT, lembra Le Monde.

A prisão de João Vaccari foi motivada pelo fato de que o tesoureio manteve suas funções mesmo após as acusações que pesam contra ele. Le Monde cita um trecho do despacho do juiz Sergio Moro no qual o magistrado justifica sua decisão de pedir a prisão do tesoureiro "para evitar que ele exerça pressões políticas ou atrapalhe as investigações".

O artigo também lembra a entrevista coletiva do procurador Carlos Fernandes de Santos Lima, que apontou Vaccari como o operador do PT no vasto esquema de corrupção da Petrobras. Apesar de não ter sido uma surpresa, a prisão do tesoureiro pegou os líderes do PT desprevenidos, comenta o diário.

Fontes próxima do Partido dos Trabalhadores indicam que os dirigentes temem que as declarações de Vaccari sejam contraditórias com as acusações feitas pelos delatores do caso Petrobras e, assim, podem abrir outras frentes de investigação.

Virar a página

Segundo Le Monde, a reunião dos caciques do PT nesta sexta-feira é também uma ocasião para os dirigentes "tentarem encontrar um meio de virar mais essa página sombria de sua história".

Em relação à oposição, o vespertino informa que, apesar das divergências internas, ganha força a ideia de iniciar um processo para pedir a destituição de Dilma Rousseff.

De acordo com o jornal, a prisão pode acelerar o movimento liderado por Aécio Neves (PSDB) que, nos últimos dias, multiplica consultas com deputados para ver a possibilidade de levar adiante um eventual pedido de impeachment da presidente.

 

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