Brasil

Nova classe média é atingida em cheio pela recessão no Brasil, diz Libération

Reportagel do jornal Libération
Reportagel do jornal Libération Reprodução

Reportagem do jornal francês Libération desta segunda-feira (20) mostra que o encolhimento do PIB brasileiro previsto para 2015 já começa a punir a classe social que ascendeu economicamente nos últimos anos. O jornal entrevistou os integrantes da chamada “classe C” para mostrar como eles estão se adaptando à nova realidade de desemprego e salários menores. Em três meses, 950 mil brasileiros perderam seu emprego.

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“Será preciso se acostumar a ganhar menos.” A frase de um torneiro mecânico entrevistado pelo Libération em São Paulo dá título à reportagem da correspondente no Brasil. Os depoimentos colhidos em um centro de recrutamento da capital paulista mostram que o índice de 7,4% de desemprego – o mais alto em 10 anos – se reflete principalmente entre integrantes da classe C, “que ganham entre € 97 e € 324 e que representam 54% dos brasileiros”.

Os desempregados ouvidos pelo Libération relatam que sentiram o cenário econômico mudar muito rapidamente. Uma mulher de 24 anos que perdeu o emprego afirma que teve de cortar os gastos supérfluos, como idas a restaurantes, além de precisar tirar o filho da escola privada – “símbolo de status social entre os brasileiros”, diz o jornal. A família também estaria endividada pela compra de um carro, uma moto e eletrodomésticos.

Classe C se volta contra o PT

“Em 2008, no auge da crise financeira internacional, foram estes brasileiros, ávidos por consumir, que salvaram o país de ser contagiado”, afirma o Libération. O “impressionante” baixo índice de desemprego verificado até agora, afirma o jornal, foi resultado do aumento médio dos rendimentos dos chefes de família. Desta maneira, os jovens puderam se dedicar apenas a estudar, reduzindo as estatísticas de busca de emprego. É justamente este segmento da sociedade, diz o Libération, que agora volta a buscar trabalho para ajudar na renda familiar, combalida pela inflação de 8%.

Os maus resultados na economia se somam ao escândalo de corrupção na Petrobras e ao impopular ajuste fiscal promovido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para construir um cenário difícil para o Partido dos Trabalhadores. “Muitos membros da classe C começam a se voltar contra o partido ao qual devem sua ascensão”, afirma o Libération
 

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