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Rio 2016: Estudo internacional alerta para sujeira nas águas das Olimpíadas

A Baía da Guanabara, que sediará provas aquáticas, recebe quantidades absurdas de esgoto não tratado
A Baía da Guanabara, que sediará provas aquáticas, recebe quantidades absurdas de esgoto não tratado Getty Images

A agência norte-americana de notícias Associated Press encomendou o primeiro teste independente na água da Baía de Guanabara para saber quais perigos os atletas dos Jogos Olímpicos do ano que vem correrão. O resultado: níveis elevadíssimos de vírus e bactérias, além de uma taxa intolerável de coliformes fecais.

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De acordo com o texto da agência, a quantidade de vírus nas amostras pode chegar a 1,7 milhão de vezes mais alta que a taxa considerada intolerável nas praias da California. Mas o comitê responsável por avaliar a qualidade da água não faz testes virais, avalia apenas a quantidade de bactérias.

Entrevistada pela AP, Kristina Mena, professora de saúde pública na Universidade do Texas, e especialista em qualidade da água, afirmou que os riscos são altíssimos. De acordo com ela, três colheres de chá de água dos locais que receberão competições seriam suficientes para infectar 99% das pessoas. E isso é muito menos do que os atletas acabam bebendo quando competem. Além disso, a infecção pode acontecer pelo contato com qualquer orifício, inclusive os olhos.

"Poluição extrema é comum no Brasil"

O texto da agência complementa dizendo que "a poluição extrema da água é comum no Brasil, onde a maior parte do esgoto não é tratado. Essa água sem tratamento atravessa valas e córregos a céu aberto e chega para alimentar os locais das Olimpíadas".

A Baía de Guanabara recebe água sem tratamento das casas de 6 milhões de pessoas. O biólogo John Griffith, que avaliou o relatório dos testes, resumiu: "Esta água é simplesmente água dos banheiros, chuveiros e pias dos moradores da cidade".

Jeitinho

Os Jogos Olímpicos na Cidade Maravilhosa esperam 1400 atletas que disputarão provas aquáticas, na Baía de Guanabara, na praia de Copacabana e na lagoa Rodrigo de Freitas. Como a promessa de limpeza das águas não foi cumprida, as autoridades brasileiras recomendam aos participantes do evento de se vacinarem contra Hepatite e febre tifóide. Alguns médicos aconselham os atletas a chegarem mais cedo ao país, para estimularem o sistema imunitário a criar defesas.

A matéria da Associated Press termina com o subtítulo "Uma oportunidade perdida", lembrando que o Rio de Janeiro prometia, na sua candidatura que, se eleito sede dos Jogos Olímpicos de 2016, iria "recuperar as magníficas vias navegáveis do Rio de Janeiro", com investimentos de R$ 13 bilhões em obras de saneamento básico.

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