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França

Brasil é apontado entre os possíveis compradores dos navios de guerra franceses Mistral

Sevastopol e Vladivostok, os dois mistral ancorados no porto de Saint-Nazaire.
Sevastopol e Vladivostok, os dois mistral ancorados no porto de Saint-Nazaire. AFP PHOTO / JEAN-SEBASTIEN EVRARD
Texto por: Gabriel Brust
3 min

Depois de um ano de polêmica, a França cancelou definitivamente a venda para a Rússia de dois enormes navios de guerra do tipo Mistral – decisão motivada pelas sanções impostas pela Europa em função da invasão da Crimeia. A França precisa agora encontrar compradores para estes dois elefantes brancos novinhos em folha e que estão prontos para operar. O Brasil está sendo apontado entre os possíveis interessados.

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Não há informações oficiais, mas tanto a Agência de notícias AFP quanto o jornal Aujourd’Hui en France mencionam o Brasil, ao lado de Singapura, Índia, Canadá e Egito, como os países que já teriam emitido sinais a Paris de que estariam interessados nas duas embarcações. Batizadas de Sevastopol e Vladivostok, em homenagem ao antigo comprador, elas seguem ancoradas no porto de Saint-Nazaire, no noroeste da França, onde geraram milhares de empregos em sua construção ao longo dos últimos quatro anos. 

“Muitos países demostraram interesse nos barcos”, disse o ministro francês da Defesa, Jean-Yves Le Drian, à rádio RTL. Ele também se defendeu das críticas da oposição ao governo François Hollande, que consideram um erro abandonar o negócio com os russos. “Não teremos nenhuma dificuldade em encontrar novos compradores”, disse Le Drian.

A lista de países interessados, que inclui o Brasil, por enquanto não passa de especulação, segundo o ministro. “O futuro comprador é quem vai divulgar o seu interesse assim que as negociações começarem para valer. Ainda é muito cedo para comentar”, disse Le Drian.

Polêmica interna

O prejuizo com o cancelamento da venda dos dois navios à Rússia é estimado pelo jornal Le Figaro em € 1 bilhão para os cofres públicos franceses. Por isso, a decisão foi muito criticada pela oposição ao governo, que vê um problema não apenas financeiro. Eles alegam que os contratos foram assinados pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy muito antes da crise entre Russia a Ucrânia e, portanto, não deveriam ser afetados pelas sanções e pela indisposição política da França com Vladimir Putin.

Do lado do governo, pesou o simbolismo. Entregar os dois navios de guerra aos russos apenas um ano depois de considerar ilegais os ataques à Ucrânia seria uma incoerência que pesaria sobre os franceses diante de seus pares europeus. Apesar do prejuízo econômico, a política falou mais alto.

O Mistral é um colosso de 5.200 metros quadrados,  com capacidade para 450 homens, 16 helicópteros e 60 blindados, ainda dotado de um hospital – uma sofisticação bélica tão grande que fica difícil acreditar que o Brasil pudesse estar realmente interessado, especialmente em um momento de retração econômica como o que o país atravessa. 
 

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