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Fato em Foco

Brasileiros se manifestam em defesa do mandato de Dilma Rousseff

Áudio 04:44
Manifestação de apoio ao governo brasileiro no Rio de Janeiro, em 20 de agosto de 2015.
Manifestação de apoio ao governo brasileiro no Rio de Janeiro, em 20 de agosto de 2015. REUTERS/Ricardo Moraes
Por: Augusto Pinheiro
8 min

Após os protestos do último domingo pelo impeachment de Dilma Rousseff, aconteceu ontem em todo o Brasil e no exterior uma manifestação pelo respeito à democracia e em defesa do mandato da presidente. Os atos foram organizados por centrais sindicais, por entidades do movimento estudantil e por partidos de esquerda, como o próprio PT e o PC do B.

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O arqueólogo carioca Régis Barbosa foi um dos organizadores da manifestação em Lisboa, batizada de "Não ao Golpe", e que aconteceu na praça Camões, em frente ao consulado do Brasil. Ele explica qual é o objetivo da iniciativa. "É solidarizar com os movimentos de esquerda, com os movimentos sociais no Brasil, com a continuidade das políticas de esquerda, tendo em vista a resistência a esse ataque da direita hoje, esse ataque conservador que tem se verificado nos últimos dias e nos últimos meses. Por isso no fundo é tentar, mesmo que haja críticas ao governo, unir as esquerdas contra uma ofensiva conservadora", afirmou.

Sarau cívico

A psicanalista paulista Maria Sueli Peres organizou um sarau cívico em um café Bruxelas em apoio às manifestações no Brasil. "Neste momento nós temos que defender a jovem democracia brasileira do clima de ódio e perseguição a que ela está sendo submetida assim como o povo trabalhador. Esse clima de ódio e de perseguição ao mundo do trabalho e à democracia não pode nos deixar indiferentes ou paralisados. Nós temos que nos manifestar, onde quer que nós estejamos", disse.

Para Régis, é necessário apoiar o PT contra o que considera uma tentativa de golpe. "No fundo há um balanço de que a gestão do PT nos últimos anos tem sido muito positiva do ponto de vista da igualdade social, e a continuidade disso é fundamental, apesar de haver algumas divergências. E nesse sentido apoiar o governo, sendo contra um processo de golpe, de impeachment. Do nosso ponto de vista seria muito pior."

Doloroso para a esquerda

A militante do PT Carla Sanfelici, uma das organizadoras do protesto em Paris, que aconteceu em uma praça próxima à Embaixada do Brasil, tem receio de que haja um retrocesso na democracia brasileira. "Nunca foi tão doloroso para a esquerda se encontrar nessa circunstância de ter mais ao menos um repeteco de 1964, onde as coisas são diferentes, mas muita coisa se repete. Então todas as conquistas que existiram nos parece que elas estão extremamente fragilizadas. Mais que um projeto de democracia que está em jogo, nós consideramos que é um projeto de democracia proposto pelo PT. Porque se fosse outro partido que estivesse no poder, como o PSDB, nada disso estaria acontecendo. Não temos dúvida disso."

Para o cientista político francês Stéphane Monclaire, especialista no Brasil, as manifestações não são uma boa estratégia para o PT.  "É uma tentativa de reverter a situação ao mobilizar os militantes do PT e as pessoas que participam de lutas sociais para proteger a democracia. Mas penso que vai ter pouca gente, seja no Brasil ou na Europa, onde estamos em férias. Essa estratégia não me parece boa, pois vai demonstrar que o número de manifestantes de domingo era bem superior ao número de hoje. Vai criar um contraste, mostrar uma relação de forças muito assimétrica. Vai mostrar a fragilidade do PT."

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