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Brasil/Política

Para Le Monde, Cunha é o 'inimigo' que faz Dilma tremer

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, maior inimigo da presidente Dilma, segundo Le Monde.
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, maior inimigo da presidente Dilma, segundo Le Monde. REUTERS/Ueslei Marcelino
3 min

Em artigo dedicado ao presidente da Câmara dos Deputados, publicado nesta terça-feira (6), o vespertino francês Le Monde garante que ele é o "homem capaz de provocar muita preocupação" à Dilma Rousseff, porque tem nas mãos o pedido de impeachment da presidente. O jornal descreve Cunha como um político de ideias muito conservadoras, que exerce seu poder com habilidade e manobra para se manter no cargo.

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Le Monde inicia o artigo descrevendo Cunha como um homem que está “humilhado” e enfraquecido pelos escândalos envolvendo seu nome. No entanto, o “temível” presidente da Câmara, visado por um inquérito por corrupção, mostrou no final de semana pelo Twitter que não está abatido e tem poder de fogo, ao anunciar que não pretende engavetar pedidos de destituição da presidente. “É um desafio à sua inimiga”, considera o jornal.

O poder de Cunha para atrapalhar a vida da presidente Dilma é “proporcional à sua habilidade política, ou seja, colossal”, segundo Le Monde. Prova disso, reitera o diário, foi sua vitória para conquistar a presidência da Câmara dos Deputados, apesar da oposição do Palácio do Planalto.

Em entrevista ao Le Monde, o professor de Relações Internacionais Gilberto Marangoni, da Universidade Federal do ABC, diz que Cunha é extremamente ágil e eficaz. “Todo mundo tem medo dele”, admite.

O artigo lembra que o presidente da Câmara é conhecido como oportunista e com ideias muito conservadoras. Entre os exemplos citados pelo jornal estão sua oposição ao casamento gay e ao aborto e ainda a defesa pela redução da maioridade penal para 16 anos. “Ele é evangélico e próximo de uma parte de empresários que financiam campanhas políticas”, afirma o texto.

Reforma reforça PMDB

O artigo explica como Dilma usou a reforma ministerial para tentar “ganhar fôlego”. Para isso, ela reduziu o número de ministérios do seu partido, o PT, que passa a controlar nove e não mais 13 pastas, para reforçar a participação do PMDB, partido de Cunha, no governo.

Le Monde também comenta a medida “simbólica” da presidente ao anunciar a redução de 10% de seu salário, do vice-presidente Michel Temer e de ministros do governo, com o objetivo de participar do esforço de contenção de gastos.

“Esse belo esforço para enfrentar o impasse político e a crise econômica do Brasil não pode passar de um paliativo”, estima o jornal. Segundo o texto, Dilma, que muitos dizem não governar mais, virou uma “quase-refém” do PMDB e deve desconfiar de Cunha. Envolvido no escândalo da Petrobras, o presidente da Câmara está em uma “posição delicada” com as revelações de suas contas na Suíça e, segundo analistas, “se cair, não cairá sozinho”.

Le Monde lembra que as contas secretas de Cunha, baseadas em paraísos fiscais, até em nome de sua mulher, Cláudia Cruz, podem ter movimentado mais de US$ 5 milhões. Ele é suspeito de receber propinas por contratos relacionados a atividades offshore da empresa petrolífera.

Ameaça

Até o momento, destaca Le Monde, o presidente da Câmara recebeu 19 pedidos de impeachment contra a presidente, sendo que 11 foram arquivados por “falta de fundamento”.

Em entrevista ao vespertino, o cientista político Stéphane Monclaire, da Universidade Sorbonne, explica que Cunha tenta “encarnar a oposição à Dilma, mas pretende manter seu cargo e sua imunidade”. O que ele faz, segundo o analista, é dizer: “atenção, ou posso prejudicar alguém”.

O artigo termina com a informação sobre a divulgação do primeiro volume de memórias do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele relatou ter rejeitado a indicação de Cunha para um cargo executivo na Petrobras. “Imagina”, escreveu FHC diante da “reputação controversa” do político.

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