Cunha não se preocupa com o Brasil, diz Lula sobre impeachment

Lula ao lado do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, durante entrevista coletiva.
Lula ao lado do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, durante entrevista coletiva. Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
Texto por: RFI
4 min

Um dia após o presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Cunha, dar o sinal verde para o início do processo de impeachment de Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva se exprimiu sobre o assunto. Para o ex-chefe de Estado, Cunha não estaria preocupado com o país.

Publicidade

Em entrevista no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (3), o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva se exprimiu pela primeira vez após a decisão de Cunha. "Eu me sinto indignado com o que estão fazendo com o país. A presidenta fazendo um esforço incomensurável para que a gente aprove os ajustes que têm que ser aprovados nesse país, pra ver se a gente consegue recuperar a economia e fazer a economia crescer, e tem muitos deputados querendo contribuir, mas o presidente da Câmara me parece que tomou a decisão de não se preocupar com o Brasil", disse Lula.

O ex-presidente criticou a postura de Cunha. "Me parece que a prioridade dele é se preocupar com ele, quando esse país de 210 milhões de habitantes é mais importante do que qualquer um de nós individualmente".

Ao comentar a possibilidade de uma retaliação da parte do presidente da Câmara, Lula foi severo. “Subordinar um país inteiro a uma visão corporativa, pessoal e de vingança (...). Eu quero crer que não seja verdade. Porque se isso for verdade, é muita leviandade”

Aliados tentam bloquear impeachment

Membros do partido do governo, mas também do PCdoB, tentaram nesta quinta-feira (3), por meio de um mandado de segurança no STF, mostrar que houve “abuso de poder” da parte do presidente da Câmara dos deputados. Os dois processos, um elaborado pelo deputado Rubens Júnior (PCdoB-MA) e outro pelos deputados petistas Paulo Teixeira (SP), Paulo Pimenta (RS) e Wadih Damous (RJ), pediam que a Corte concedesse liminar que suspenda a decisão de Cunha. No entanto, os petistas desistiram do recurso no final do dia, sem explicar o motivo.

Rubens Júnior, do PCdoB, argumenta que o presidente da Câmara tomou a decisão de aceitar o pedido de abertura do processo de impedimento contra a presidente sem notificá-la previamente. Já os petistas afirmaram, antes de retirar o recurso, que Cunha instrumentalizou a estrutura do poder legislativo para se defender. "É inadmissível que o presidente da Câmara se utilize da gravíssima competência de admitir a instauração de processo de impeachment como instrumento para impedir a apuração de seus desvios éticos, chantagear adversários ou promover vingança política", alegavam os deputados do PT durante o dia.

O sinal verde de Cunha foi dado no mesmo dia em que os três deputados do PT no Conselho de Ética revelaram seu voto a favor da abertura de uma investigação contra o presidente da Câmara por mentir sobre contas que mantêm na Suíça. O caso tem o potencial de cassar o mandato de deputado de Cunha.

Bolsas não sofrem com possível processo de destituição

A Bolsa de São Paulo reagiu de forma positiva com a abertura do processo de impeachment contra Dilma. O pregão fechou nesta quinta-feira em alta de 3,29%, após ter registrado picos de quase 5% durante a sessão.

O real fechou o dia com alta de 2,29%, cotado em 3,749 unidades por dólar.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.