Em cadeia nacional, Dilma se defende atacando Cunha

A presidente Dilma Rousseff disse, em cadeia nacional nesta quarta-feira (2) que não tem conta no exterior nem ocultou a existência de bens pessoais.
A presidente Dilma Rousseff disse, em cadeia nacional nesta quarta-feira (2) que não tem conta no exterior nem ocultou a existência de bens pessoais. REUTERS/Ueslei Marcelino

Logo depois que o presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Eduardo Cunha, aceitou o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff nesta quarta-feira (2), a chefe de Estado agiu rápido: fez um pronunciamento em cadeia nacional e se defendeu atacando o rival. O Congresso ficou em ebulição até tarde da noite.

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Luciana Marques, correspondente da RFI em Brasília

Dilma disse que não tem conta no exterior nem ocultou a existência de bens pessoais. Também negou qualquer tipo de barganha no Congresso para evitar o impeachment.

Foi um verdadeiro toma lá da cá que surpreendeu os parlamentares. Cunha tomou a decisão depois do PT anunciar que votaria pela continuidade do processo de sua cassação no Conselho de Ética. Agora são os petistas que correm contra o tempo para conseguir cada voto a favor de Dilma.

Mas ainda há um longo caminho pela frente: uma comissão especial deverá ser formada e decidir se aceita ou não a denúncia. Depois do parecer do relator, a presidente tem um prazo de dez sessões para apresentar defesa. Se aprovado, o processo vai ao plenário da Câmara e precisa de 342 votos entre os 513 deputados. Depois, segue para o Senado.

Tudo isso a três semanas do Natal e às vésperas do recesso parlamentar. O temor dos governistas é de que Cunha revogue as férias para acelerar o caso. Por isso, eles tentarão contornar a situação em outro poder: vão acionar o Supremo Tribunal Federal (STF).

"Não faço isto com qualquer felicidade"

"Trata-se de autorizar a abertura, não de julgar o mérito; será a comissão especial que poderá acolher ou rejeitar" o pedido de impeachment, disse Eduardo Cunha em entrevista coletiva, depois de anunciar a decisão. "Não faço isto com qualquer felicidade, sei que é um gesto delicado em um momento em que o país atravessa uma situação difícil", tanto do ponto de vista econômico como político, reiterou, assinalando que já havia rejeitado mais de trinta pedidos de impeachment contra a presidente Dilma apenas este ano.

Após adiar sua decisão durante meses, Cunha deu sinal verde ontem para o processo de pedido de impeachment no mesmo dia em que os três deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) no Conselho de Ética revelaram seu voto a favor da abertura de uma investigação contra o presidente da Câmara por mentir sobre contas que mantêm na Suíça. O caso tem o potencial de cassar o mandato de deputado de Cunha.

O presidente da Câmara acatou o pedido de impeachment realizado por um grupo de juristas independentes – incluindo o ex-fundador do PT Helio Bicudo – que acusam Dilma de maquiar as contas públicas com as chamadas "pedaladas fiscais". Se confirmado, o caso é considerado "crime de responsabilidade", passível de destituição do cargo.

O impeachment conta com o apoio de diversos partidos da oposição, entre eles o PSDB, do candidato derrotado à presidência Aécio Neves, e de parte do PMDB, partido que integra a base de apoio do governo petista.

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