França/Eleição/Extrema-direita

Derrota da extrema-direita nas regionais é advertência para o futuro

Capa dos jornais franceses Le Monde, Libération, Le Figaro e L'Humanité desta segunda-feira, 14 de dezembro de 2015.
Capa dos jornais franceses Le Monde, Libération, Le Figaro e L'Humanité desta segunda-feira, 14 de dezembro de 2015.

Os jornais de segunda-feira (14) dão amplo destaque aos resultados do segundo turno das eleições regionais, realizado ontem na França. Todas as manchetes abordam a derrota do partido de extrema-direita Frente Nacional, que havia vencido em seis das 13 regiões metropolitanas no primeiro turno e acabou sem conquistar nenhuma administração na votação final.

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O diário popular Aujourd'hui en France resume a impressão consensual na classe política e na imprensa: a extrema-direita perdeu, mas com o número de votos obtidos pela Frente Nacional, ou seja, 6,8 milhões, o partido adquiriu um peso significativo como principal força da oposição no cenário nacional. A mobilização dos eleitores, solicitada com ênfase por todas as forças republicanas entre o primeiro e o segundo turnos, resultou no fracasso dos candidatos populistas à presidência das regiões, mas a Frente Nacional está enraizada no país, afirma o Aujourd'hui en France.

Le Monde demonstra preocupação com o resultado. "Os eleitores de direita e de esquerda misturaram seus votos, mais uma vez, para salvar o país da catástrofe. O risco, porém, é que a classe política não se dê conta de que nossa democracia está enferrujada e, se ninguém fizer nada para consertá-la, a França poderá se desintegrar", escreve Le Monde.

Para o jornal especializado em economia Les Echos, a história se repete: a extrema-direita saiu vitoriosa no primeiro turno em várias eleições recentes, mas tem um forte índice de rejeição que se manifesta no segundo turno. O diário nota que, para bloquear o caminho da Frente Nacional, os eleitores que se abstiveram na primeira fase votaram no turno decisivo.

Essa mobilização foi visível nas três regiões sob ameaça de uma incômoda vitória da Frente: o norte, onde a candidata era Marine Le Pen; o sul, onde a sobrinha de Marine, Marion Maréchal-Le Pen, foi derrotada; e o leste, onde o perdedor foi o estrategista do partido, Florian Philippot.

Les Echos considera que o eleitorado francês demonstrou nessa eleição uma profunda insatisfação com o desemprego crônico, o medo de novos atentados terroristas e o receio com a chegada de novos imigrantes. Desemprego, segurança e imigração foram os três principais temas de campanha das regionais.

Franceses querem renovação da classe política

Na avaliação do Le Figaro, as lições dessa eleição são claras: a vitória da Frente Nacional no primeiro turno foi um voto de protesto, uma maneira de os franceses demonstrarem seu profundo descontentamento com os mesmos políticos que se alternam no poder há 30 anos. Por isso, o jornal adverte que tanto o Partido Socialista quanto os conservadores do partido Os Republicanos devem rever seus programas e estratégias, pois não estão agindo à altura das expectativas do eleitorado.

O jornal de esquerda Libération lança uma advertência aos socialistas, dizendo que não será possível sobreviver no cenário político apenas desqualificando a extrema-direita. O jornal recomenda ao governo agir para ajudar as classes populares, promover mais justiça social, acabar com a ortodoxia da política econômica e unir a nação em torno de um projeto de esquerda para as eleições presidenciais de 2017.

A imprensa não tem a menor dúvida de que Marine Le Pen estará no segundo turno das eleições presidenciais. Só não se conhece ainda seu adversário.

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