Le Monde diz que Temer, "homem sem carisma", já se vê na presidência

Michel Temer e Dilma Rousseff em Brasília no dia 24 de novembro de 2015.
Michel Temer e Dilma Rousseff em Brasília no dia 24 de novembro de 2015. REUTERS/Ueslei Marcelino

Depois de "quatro anos na sombra de Dilma Rousseff", em uma função que classifica como "ingrata e decorativa", o jornal francês Le Monde diz que o vice-presidente Michel Temer, "um homem sem grande carisma e desconhecido do público", coloca fé em seu destino. "O número dois brasileiro já se vê como presidente", publica o diário centrista na edição que chegou às bancas nesta quarta-feira (16).

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Segundo Le Monde, Temer, um político "consensual e prudente" passou "ao ataque", depois do pedido de impeachment lançado no início de dezembro contra a chefe de Estado brasileira. "É seu papel de vice-presidente. Ele está preparado", garante a assessora de imprensa de Temer, em entrevista ao Monde, negando qualquer ganância por parte do peemedebista.

Isso porque, de acordo com a correspondente do diário no Brasil, Claire Gatinois, "oficialmente, o septuagenário desmente apoiar a destituição". Mas, segundo a jornalista, é inegável que Temer "avança seus peões sem grande reserva".

De acordo com Gatinois, em uma reunião com empresários em São Paulo, o vice teria até mesmo revelado seu programa de governo. "Há rumores de que ele já estaria designando seus ministros", escreve a correspondente.

E há até mesmo quem esteja se colocando à disposição do peemedebista. Le Monde ressalta que José Serra (PSDB), prometeu ao vice de Dilma que "fará o possível para ajudá-lo". Para o tucano, não há dúvidas de que Temer está à altura da presidência.

"O impeachment não é um golpe de Estado"

"Os exércitos se organizam", constata Gatinois. O PSDB, até então dividido sobre a saída de Dilma, passou a levantar a bandeira da destituição da presidente desde o dia 11 de dezembro. "O impeachment não é um golpe de Estado", defendeu o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, utilizando o argumento de que o procedimento é democrático.

Diante de toda a crise política e econômica que o Brasil vive, Le Monde diz não imaginar que Dilma, "ex-guerrilheira, torturada durante a ditadura militar" entregue facilmente o cargo de presidente. Por outro lado, o vice enxerga no impeachment, " a chance de sua vida", diz o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), entrevistado pelo Monde. "A destituição seria a única oportunidade para esse homem sem grande carisma, desconhecido do público, chegar ao topo", finaliza o jornal.

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