Figaro diz que saída de Levy vai piorar "marasmo econômico" do Brasil

Joaquim Levy deixou a pasta da Fazenda na última sexta-feira (18).
Joaquim Levy deixou a pasta da Fazenda na última sexta-feira (18). REUTERS/Paulo Whitaker

No jornal Le Figaro que chegou às bancas na manhã desta terça-feira (22), uma longa matéria trata da economia brasileira e os rumos que a recessão no Brasil pode tomar com a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e a nomeação de Nelson Barbosa para substituí-lo. Para o diário conservador, esse é um novo capítulo na severa crise que atravessa o país, "em pleno marasmo econômico" - situação que deve continuar em 2016, prevê o diário conservador.

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Para Le Figaro, Levy, "um partidário da austeridade", jogou a toalha, diante do bloqueio político que enfrentou no Congresso ao propor o enxugamento dos gastos, especialmente do programa social Bolsa Família, a menina dos olhos dos governos Lula e Dilma Rousseff. O diário conservador considera que essa foi a "gota d'água" para o "ortodoxo ministro", que tinha a missão de "endireitar as finanças públicas e relançar o fraco crescimento dos últimos anos".

Le Figaro acredita que o Brasil, a sétima economia do planeta, tem uma equação complexa para resolver: como ajustar as contas públicas sem crescimento, sem comprometer os programas sociais que tiraram milhões de brasileiros da pobreza e com uma inflação de 10%.

Linha fiscal menos agressiva

Com a nomeação de Nelson Barbosa para a pasta da Fazenda, um tradicional aliado no Partido dos Trabalhadores, a presidente Dilma mostra que pretende seguir uma linha fiscal menos agressiva, analisa o economista Neil Shering, entrevistado pelo jornal.

O novo ministro promete uma estabilidade orçamentária e um crescimento durável. Mas com o governo impopular de Dilma, que enfrenta denúncias de corrupção e a ameaça de um processo de impeachment, Le Figaro duvida que Barbosa possa segurar as pontas.

O diário também ressalta que o empresariado brasileiro acredita que a saída de Levy é um mau sinal. "Depois de ter caído 3% na sexta-feira com os rumores da demissão do ministro, a Bolsa de São Paulo estava ainda ontem no vermelho", publica o jornal.

48% dos brasileiros apelam a atividades secundárias, diz CNI

Na sequência da matéria, a jornalista francesa Lamia Oualalou escreve sobre as estratégias dos brasileiros diante da crise. A correspondente foi até uma escola que forma papais noéis para trabalhar no período de festas de fim de ano. No local, encontrou pessoas desempregadas, algumas com formação superior, e que são obrigadas a encontrar outras alternativas para burlar o desemprego, como o engenheiro Pedro Martin, sem trabalho formal há dois anos.

A correspondente lembra que o desemprego no país atingiu 8,9% no terceiro trimestre de 2015, obrigando a população a ter que encontrar outras alternativas para garantir o ganha-pão. Lamia Oualalou ressalta que de acordo com uma enquete da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 48% dos brasileiros são obrigados a apelar a atividades secundárias para que o mês não feche no vermelho. "Um choque depois dos anos Lula, marcados por uma época de muito emprego", conclui a jornalista.

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