Brasil/Fórum Social Mundial

Fórum Social volta a transformar Porto Alegre em território anti-Davos

Ato pela paz realizado durante o Fórum Social de Porto Alegre, em 19 de janeiro de 2016.
Ato pela paz realizado durante o Fórum Social de Porto Alegre, em 19 de janeiro de 2016. Ricardo Giusti/PMPA

Porto Alegre voltou a ser a capital do movimento antiglobalização mundial. A capital gaúcha sedia de 19 a 23 de janeiro o Fórum Social, que celebra seus 15 anos nesta edição. Apesar da crise, principalmente no Brasil, e da persistência das desigualdades, os participantes esperam fazer contribuições para que o mundo cresça de maneira sustentável.

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Batizada de" Fórum Social Temático 15 anos Porto Alegre", a edição 2016 foi aberta por uma marcha que percorreu as ruas da capital gaúcha. Os milhares de militantes sociais, de vários países, que participam do evento continuam acreditando que um mundo mais justo e com desenvolvimento sustentável é possível. Eles ressaltam a urgência das mudanças no modelo de crescimento econômico atual, principalmente devido ao aquecimento global que ameaça o planeta.

Com o tema "Paz, democracia, direitos dos povos e do planeta", cerca de 600 atividades e mesas redondas que articulam as várias lutas no Brasil, na América Latina e no mundo, são propostas. A temática da terceira idade, considerada um dos grandes desafios deste século 21 foi integrada pela primeira vez nos debates, revela Lélio Falcão, ambientalista e integrante do comitê organizador do Fórum. "O envelhecimento da população humana repercute em vários setores, inclusive no mundo do trabalho, e é preciso garantir dignidade aos últimos anos de vida", salienta.

Fundadores históricos, como o professor Emir Sader, o sociólogo português Boaventura de Souza ou o ativista Chinco Whitaker participam desta edição comemorativa que visa, sobretudo, fazer um balanço das lutas anticapitalistas nestes 15 anos, discutir os desafios atuais dos movimentos sociais e as perspectivas de luta.

De maneira geral, os movimentos que participam do Fórum de Porto Alegre não fazem um balanço quantitativo das perdas atuais nos avanços sociais obtidos pelas classes no Brasil desde o início do século 21. Mas "Esperam que o Fórum possa contribuir com sugestões para que o Brasil tenha um crescimento sustentável e que os avanços sejam retomados", diz Lélio Falcão.

Um evento que fez história

O Fórum Social Mundial foi criado em 2001 em Porto Alegre, como uma alternativa ao Fórum Econômico Mundial, a tradicional missa do capitalismo global que acontece anualmente em janeiro em Davos, na Suíça.

Na época, a capital gaúcha, dirigida pelo PT, se tornava conhecida no mundo inteiro por seu Orçamento Participativo. O evento contra o modelo de capitalista vigente atraiu milhares de ativistas, intelectuais e líderes do mundo inteiro e a partir de 2004 ganhou o mundo. Passou por Mumbai, Bamako, Karachi, Caracas, Nairóbi, entre outras cidades. No ano passado, em apoio à Primavera Árabe, aconteceu na Tunísia.

A edição 2016 na capital gaúcha é preparatória para o Fórum Social Mundial, que será organizado em agosto, em Montreal, no Canadá. Esta será a primeira vez que um país do hemisfério norte sediará o evento que começou a ser realizado fora do Brasil a partir de 2004.

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