Acessar o conteúdo principal
Brasil/USA/Crise

Crise brasileira é tema de debate em Washington

O diretor do Instituto Brasil do Woodrow Wilson Center, Paulo Sotero (e), organizou o debate em Washington
O diretor do Instituto Brasil do Woodrow Wilson Center, Paulo Sotero (e), organizou o debate em Washington RFI/Ligia Hougland
Texto por: RFI
3 min

Especialistas em política brasileira se reuniram nesta quinta-feira (31), em um evento organizado pelo Instituto Brasil do Woodrow Wilson Center, em Washington, para avaliar o possível impeachment da presidente Dilma Rousseff. O painel também discutiu os resultados de uma pesquisa sobre a percepção dos brasileiros caso o vice-presidente Michel Temer assuma o país.

Publicidade

Ligia Hougland, correspondente da RFI em Washington

O diretor do Instituto Brasil, Paulo Sotero, acredita que o impeachment ainda pode ser evitado, especialmente por meio da influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seja como ministro da Casa Civil ou consultor da presidência, que potencialmente pode impedir que os 342 votos necessários (dois terços da Câmara dos Deputados) sejam conseguidos. "Lula, embora diminuído pelos escândalos, é um político hábil", afirmou o especialista. "Segundo as pesquisas, a única figura política do Brasil com aumento de popularidade é Marina Silva", disse Sotero.

Para a cientista política e professora da Universidade de São Paulo Maria Herminia Tavares de Almeida, que também participou do evento em Washington, "o impeachment da presidente é provável, mas não é inevitável". Segundo ela, a democracia não está em risco no país, independentemente de qual será o desfecho da crise política.

Já Juliano Basile, correspondente do Valor Econômico na capital americana que, coincidentemente, foi colega na faculdade de Direito de Janaína Paschoal, advogada e uma das autoras do pedido de impeachment da presidente, tem outra opinião. "Devemos ver uma briga política e também jurídica, mas o mais provável é que Dilma esteja fora do governo até o final do ano", disse.

Em caso de impeachment, 55% querem novas eleições, diz pesquisa

Segundo uma pesquisa realizada por telefone pela Ideia Inteligência, em caso de impeachment, 55% dos participantes preferem novas eleições. Apenas 12% apoiam Temer na presidência e 33% não souberam responder. Pelo menos 69% dos entrevistados são a favor do impeachment da presidente.

Quando perguntados sobre como seria o desempenho do peemedebista que substituiria Rousseff, 51% pensam que a gestão seria regular, enquanto que 24% acreditam que Temer teria um desempenho ruim. Para 15% dos participantes, o vice-presidente teria um desempenho muito ruim no comando do Planalto, enquanto 9% acham que seu desempenho seria bom. Somente 1% dizem que Temer seria um ótimo presidente. A pesquisa telefônica foi realizada entre 28 e 29 de março e coletou a opinião de 10.002 participantes em 82 municípios. A margem de erro do levantamento é de 1,45 ponto percentual para mais ou para menos.

"As pessoas veem o PT e o PMDB quase como iguais", analisou Maurício Moura, diretor gerente da Ideia Inteligência, ao comentar a falta de entusiasmo da população quanto à remoção da presidente. Já Sérgio Fausto, diretor executivo do Instituto Fernando Henrique Cardoso, disse que está mais otimista do que o retrato oferecido pelos participantes do levantamento. Ele avalia que os mercados tendem a reagir "muito positivamente" ao possível afastamento de Rousseff, o que pode garantir que o país não passe por uma crise econômica ainda pior.

O diretor gerente da Ideia Inteligência lembrou que, segundo uma pesquisa recente, quase que 70% dos brasileiros poderiam votar para presidente no juiz federal Sérgio Moro, que conduz à Operação Lava Jato. Segundo Moura, assim como acontece nos Estados Unidos, no caso da popularidade de Donald Trump, no Brasil também há um desejo de mudança nos atores do cenário político.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.