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Brasil se prepara para votação histórica do impeachment de Dilma

Manifestantes se aproximam do Congresso, à espera da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, neste domingo (17).
Manifestantes se aproximam do Congresso, à espera da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, neste domingo (17). REUTERS/Paulo Whitaker

O Brasil vive um clima de final de Copa do Mundo. Por todo o país, os brasileiros acompanham à distância a reta final das negociações, em Brasília, de votos a favor ou contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados. Apesar dos atrasos nos discursos dos parlamentares, iniciados na manhã de sexta-feira (15) e que se prolongaram quase sem interrupções neste sábado (16), o horário do início da votação do processo de destituição da petista permanece inalterado, às 14h de domingo (17). Será um dia histórico para a democracia do país, qualquer que seja o resultado.

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No plenário, os legisladores faziam discursos fervorosos em meio a uma maratona de sessões. Uns garantiam que as pedaladas fiscais, os escândalos de corrupção e a situação crítica da economia do país justificam a saída da presidente. Outros defendiam que não foi comprovado nenhum crime de responsabilidade cometido por Dilma e que, se o processo fosse realmente uma resposta à corrupção, não seria liderado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha - réu no STF, alvo da Operação Lava Jato e dono de milhões de dólares ocultos em contas na Suíça. Um terceiro grupo, porém, parecia mais preocupado em agradar o seu eleitorado local do que discorrer sobre a delicada decisão política que será tomada nas próximas 24 horas.

Do lado de fora do Congresso, as ruas eram patrulhadas por forças de segurança, que permanecerão no local até o final da votação, previsto para a noite de domingo (horário de Brasília). Grandes mobilizações populares devem ocorrer em todo o país.

Brasília é sacudida pela iminência desta votação histórica. Uma cerca metálica de quase um quilômetro divide em dois a Esplanada dos Ministérios. O Congresso está sitiado por uma operação de segurança de grande escala e o trânsito foi fechado em um raio de centenas de metros. Helicópteros sobrevoam permanentemente a área e apenas veículos da polícia podem circular.

Manifestações já começaram

Militantes do PT que acampam nos arredores do estádio Mané Garrincha esperam a chegada de 100 mil simpatizantes no domingo e já começaram os protestos na tarde deste sábado, junto com sindicatos e movimentos sociais como o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). "Viemos nos juntar à defesa da democracia e do governo que foi eleito legitimamente em 2014", declarou à AFP Tiago Almeida, de 35 anos, um metalúrgico do interior de São Paulo.

Do outro lado, Renan Santos, um dos líderes do Movimento Brasil Livre, uma das organizações favoráveis ao impeachment, disse que "muita gente’ deve reforçar a pressão para a vitória do ‘sim’. “Haverá carros de som e telões para acompanhar a votação, que acreditamos que já está decidida ao nosso favor", disse.

Um grupo pró-impeachment realizava um protesto em frente ao hotel no qual o ex-presidente Lula está hospedado, próximo ao Palácio da Alvorada, onde Dilma Rousseff discute com deputados a estratégia para barrar o julgamento do impeachment. Os dois líderes não desperdiçaram um minuto deste sábado, em busca de apoio para a difícil tarefa de barrar o impeachment na Câmara.

Condições para o impeachment

A abertura de um processo de impeachment requer o apoio de dois terços da Casa (342 deputados de um total 513) e sua ratificação em maioria simples pelo Senado (metade mais um do total de 81 assentos). Se este for o caso, o vice-presidente Michel Temer assumiria o poder e completaria o mandato até o fim de 2018, se em um período máximo de seis meses os senadores declararem Dilma formalmente culpada das acusações atribuídas a ela.

Com informações AFP

 

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