Impeachment vai abalar a “estabilidade política do Brasil”, afirma Dilma

Presidente fala a correspondentes estrangeiros, em Brasília, e denuncia ser vítima de sexismo.
Presidente fala a correspondentes estrangeiros, em Brasília, e denuncia ser vítima de sexismo. Roberto Stuckert Filho/ PR

A presidente brasileira, Dilma Rousseff, afirmou nesta terça-feira (19), em Brasília, que sua destituição vai atrapalhar a “estabilidade política do Brasil”. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva concedida aos correspondentes da imprensa estrangeira.

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Dilma afirmou que o Brasil vive uma ruptura de sua base democrática. “Isso que assistimos não é um processo de impeachment, mas uma tentativa de eleição indireta proveniente de um grupo que não teria condições de ser eleito numa eleição normal”, afirmou, fazendo referência ao vice Michel Temer que, em pesquisas pré-eleitorais, não consegue agregar mais do que 2% dos votos.

A presidente repetiu que o processo ao qual está sendo submetida é um golpe de Estado e trata-se de um crime, uma vez que não tem bases legais. No domingo (17), os deputados votaram pela abertura do processo de impeachment da presidente, que agora segue para avaliação do Senado.

Pedaladas fiscais

A oposição acusa Dilma de maquiar as contas públicas, em 2014, para encobrir a amplitude do déficit público e conseguir de reeleger. Em outras palavras, o governo utilizou o suporte dos bancos públicos para o pagamento de despesas – como é permitido pelas regras financeiras do país – mas demorou para devolver o dinheiro aos bancos.

Dilma se defendeu dizendo que todos os seus antecessores fizeram “pedaladas fiscais semelhantes” e nem por isso foram investigados. Ela denunciou ainda ser vítima de sexismo na campanha que tem sido feita para lhe destituir. “Eu recebo um tratamento que certamente não seria o mesmo se tivéssemos um homem na presidência”, afirmou.
 

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