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Brasil/Le Monde

Le Monde traz perfil de Jean Wyllys e critica conservadorismo no Brasil

Jean Wyllys, deputado federal do Psol pelo Rio de Janeiro
Jean Wyllys, deputado federal do Psol pelo Rio de Janeiro

O site do jornal Le Monde destaca nesta quinta-feira (29) o “combate solitário do deputado Jean Wyllys, do PSOL, contra a homofobia”, título da reportagem que mostra a trajetória do político que se diz constantemente alvo de comentários discriminatórios no plenário, onde predomina o conservadorismo.

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O jornal francês inicia a reportagem citando o voto para a abertura do processo de impeachment, e o “espetáculo desolador” protagonizado pelos parlamentares, que “tiraram selfies, votaram em nome de Deus, da família, mencionando o nome de seus filhos, netos, sobrinhas ou sobrinhos”.

Em seguida, o jornal cita a “cena choquante” em que o deputado Jair Bolsonaro (PP), “uma espécie de Jean Marie Le Pen do Brasil”, vota a favor da destituição em homenagem ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido culpado de diversos crimes durante a ditadura militar (1964-1985). Até pouco tempo, observa o Le Monde, o PP integrava a coalizão do governo ao lado do PT e do PMDB.

Depois desse preâmbulo, o Le Monde destaca o momento em que Jean Wyllys votou contra o impeachment, sendo alvo de uma série de insultos de Bolsonaro. “Um festival de grosserias” que aconteceu nos bastidores, levando Wyllys a cuspir no rosto do deputado, e assumir seu gesto. “Filho de uma lavadeira nordestina, defensor das minorias sexuais, raciais, religiosas, a favor da legalização do aborto e da maconha, ele encarna o oposto de Jair Bolsonaro, seu inimigo. É também alvo de seu assédio. O jovem político já se habitou a ouvir ataques humilhantes nos corredores da Câmara”, escreve o Le Monde.

Vítima dos BBB (Bíblia, boi e bala)

Ao Le Monde, Wyllys contou receber ataques dos mais variados, oriundos da ala “BBB” (Bíblia, boi e bala), em referência aos conservadores religiosos e evangélicos, defensores dos latifundiários e das armas de fogo. No plenário, ele tem pouco apoio. “A maioria se cala sem reagir”, declara Wyllys. Segundo ele, “há uma homofobia institucionalizada no país”. Para o Le Monde, apesar do casamento homossexual ter sido legalizado no país em 2013, todos os dias o deputado é alvo de insultos nas redes sociais.

De acordo com o secretário dos Direitos Humanos, a violência e a discriminação contra a comunidade LGBT aumentou cerca de 94% entre 2014 e 2015. O Brasil é também o país, no mundo, com o maior número de crimes contra trans (travestis, transexuais e transgêneros). Foram registradas cerca de 802 vítimas entre 2008, segundo a organização não-governamental Transgender Europe (TGEU).

Um país profundamente conservador

O diário entrevistou o sociólogo Daniel Pereira Andrade, professor da Fundação Getúlio Vargas. “Se Bolsonaro faz todas essas provocações, é para agradar o eleitorado”, disse. O jornal também lembra que a mídia, incluindo a rede Globo, demonstram uma cerca pedagogia ao incluir em suas novelas “casais de homossexuais”, mas a cultura, as tradições e a influências das religiões católica e evangélicas são um freio para a evolução das mentalidades, diz o texto, lembrando que o país até hoje não votou uma lei que criminaliza a homofobia.

 

 

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