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Etapas do impeachment confundem jornalistas franceses

Mídia francesa tem dificuldade de compreender o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Mídia francesa tem dificuldade de compreender o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. REUTERS/Ueslei Marcelino
3 min

Jornais, rádios e televisões da França dão amplo destaque nesta quarta-feira (11) à votação que vai definir se o Senado julgará ou não o pedido de impedimento da presidente Dilma Rousseff. Por desconhecer este instrumento do regime presidencialista, alguns jornalistas franceses confundem as etapas do processo.

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A rádio RTL, por exemplo, disse nesta quarta-feira (11) que a presidente Dilma seria "destituída" amanhã, quando na verdade ela será provavelmente afastada das funções por 180 dias, para o julgamento da denúncia. Dilma só será destituída caso seja condenada no final do processo. Ela também pode ser absolvida e reassumir o cargo, uma hipótese considerada improvável.

A RTL fala de Dilma como estando "politicamente morta". Por isso, as atenções se voltam para o vice, Michel Temer. "Ele vai entrar para o clube do G7 de chefes de Estado que contam, até 2018", destacou um repórter da RTL. Apresentado como um político sem carisma, sem respaldo eleitoral, ligado a um partido oportunista e traídor da presidente, Temer não faz boa figura nessa rádio de grande audiência. "Chegar à presidência por acidente é uma configuração rara em um país da importância do Brasil", comenta o âncora.

O diário católico La Croix reproduz a denúncia feita ontem por Dilma. "Temer e seus aliados não conseguem se eleger por voto popular e utilizam o processo de destituição para proceder a uma eleição indireta, na qual o povo é excluído", disse a presidente. O resultado, observa o jornal é que "essa batalha política feroz atingiu seu apogeu a três meses da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, e a sétima economia do mundo enfrenta a pior recessão das últimas décadas.

Cada veículo analisa a crise sob um ângulo diferente. Les Echos, diário especializado em economia, diz que investidores e empresários brasileiros apostam na mudança de governo para relançar reformas consideradas necessárias ao país. O jornal assinala que, apesar da crise, a Bolsa de Valores de São Paulo tem registrado um desempenho muito bom, com 19% de ganhos desde o início do ano.

Já o jornal Le Figaro e a agência de notícias AFP veem pedras no caminho do vice Michel Temer. Primeiro pela sombra de Eduardo Cunha, que pode revelar informações constrangedoras sobre Temer, e também por causa dos processos em curso na justiça eleitoral.

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