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Brasil/ impeachment

Imprensa estrangeira destaca “teimosia” de Dilma e aparência “sinistra” de Temer

Site do jornal El País estava dominado pela cobertura da crise no Brasil.
Site do jornal El País estava dominado pela cobertura da crise no Brasil. El País
Texto por: RFI
3 min

A imprensa internacional deu amplo destaque para o afastamento da presidente Dilma Rousseff do poder e a posse de Michel Temer como presidente interino, nesta quinta-feira (12). Os jornais europeus trazem perfis dos ex-aliados, insistindo na personalidade “batalhadora” e “teimosa” da petista e ressaltando as feições do peemedebista e a eterna proximidade do seu partido com o poder.

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O assunto era a manchete e ocupava todo o tipo do site do jornal espanhol El País. Em uma das matérias, o diário afirma que Temer “é o político discreto que queria chegar ao topo”. El País relata os apelidos em torno da “aparência peculiar” do vice-presidente, como “mordomo de filme de terror”. O jornal diz que, de fato, ele tem “algo de sinistro”, embora também seja “reservado, educado, cerimonioso e culto”.

Temer, explica o texto, era “um vice-presidente decorativo” que acumula cargos institucionais desde 1980 e “personifica como ninguém o espírito flutuante e ambíguo” do seu partido, o PMDB,. Segundo El País, a sigla “é especialista em estar sempre perto do poder”.

Ministério de Temer é liberal e 100% formado por homens brancos

O site do jornal The Guardian mantém cobertura ao vivo dos acontecimentos no Brasil e ressaltou que o ministério anunciado por Michel Temer é formado por “100% de homens e 100% de brancos”. The Guardian afirma que Dilma Rousseff se mostrou “uma guerreira até o final” e hoje parece “um animal ferido, cercado por predadores que avançam para matá-la”.

Mas o jornal indica que, embora seja menos “queimada” do que os seus acusadores suspeitos de corrupção, a sua personalidade “teimosa” e “fechada” fizeram com que ela não conseguisse bloquear o avanço do processo de impeachment.

O francês Le Monde observa que, “orgulhosa, Dilma jamais fez um mea culpa” sobre as razões que levaram o seu governo a uma conjuntura tão negativa, e nota que o único arrependimento da petista é o de não ter promovido a reforma política. O diário também aborda a relação dela com Lula e diz que Dilma não conseguiu “se emancipar da influência incômoda do ex-presidente”.

Impacto do impeachment

O vespertino afirma que “Dilma foi suspensa e o Brasil, entrou no desconhecido”. O jornal francês diz que o impeachment “vai deixar cicatrizes”, por ter sido “um espetáculo em que os acusadores são tão ou mais corruptos” do que a acusada.

Le Monde também detalha os múltiplos desafios de Michel Temer na presidência. Ele é descrito como “um puro produto do sistema político brasileiro e um fino conhecedor das intrigas parlamentares”.

Outro diário francês, o Libération, explica que essa é a segunda vez que um presidente é derrubado por um impeachment desde o retorno da democracia ao país, em 1985. Mas frisa que, ao contrário do impeachment de Fernando Collor, em 1992, o de Dilma é “contestado”.

Já o Figaro observa que a presidente “fez de tudo para ficar no poder”, inclusive chamar o “seu mentor” Lula para o governo. O diário destaca que, na saída do Planalto, ela prometeu continuar lutando para provar a sua inocência.

Maior erro do PT foi não fazer reforma política

Le Figaro lembra que a presidente afastada desfruta de índices recordes de impopularidade. “Dilma paga, principalmente, pelo Partido dos Trabalhadores não ter realizado uma reforma política no país, que tem um sistema que favorece as tramas políticas, o clientelismo e a corrupção”, explica o jornal conservador. “Um mal do qual o PT não escapou”, conclui.

O jornal Financial Times, especializado em cobertura econômica, afirma que a abertura do processo de impeachment não aproxima o Brasil da estabilidade. O diário nota que, enquanto os investidores “esperam que o impeachment marque pelo menos o início do fim de um dos mais turbulentos períodos da história moderna do Brasil, analistas advertem que o país agora enfrenta um vazio de poder potencialmente perigoso”, em que “aventureiros” podem acabar assumindo cargos importantes. O desenrolar do processo, especialmente a votação na Câmara dos Deputados, “destruiu a confiança dos brasileiros em toda a classe política”, segundo o diário britânico.
 

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