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RFI Convida

"A democracia do Brasil está sob ameaça", diz Kleber Mendonça Filho

Áudio 07:41
O cineasta Kleber Mendonça Filho é diretor do filme "Aquarius", exibido nesta terça-feira (17) em Cannes.
O cineasta Kleber Mendonça Filho é diretor do filme "Aquarius", exibido nesta terça-feira (17) em Cannes. Leticia Constant/RFI
Por: Leticia Constant
10 min

A equipe do filme "Aquarius" atraiu todos os holofotes da imprensa internacional na terça-feira (17) no Festival de Cannes, ao realizar um protesto para denunciar o que considera um golpe no Brasil. Nesta quarta-feira (18), em entrevista ao RFI Convida, o diretor do longa-metragem, Kleber Mendonça Filho comentou o manifesto, organizado porque "a democracia no Brasil está sob ameaça".

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Segundo o cineasta, o ato, em pleno tapete vermelho, foi pensado por um grupo de brasileiros da área do audiovisual que trabalham no Festival de Cannes, considerando a importância do evento. "Nós achamos que a subida do tapete vermelho seria o momento para, de maneira muito tranquila, muito educada e muito delicada, exibir os cartazes e passar informações sobre o que de fato está acontecendo hoje no país."

No festival, alguns jornalistas brasileiros apontaram semelhanças entre o combate de Clara, a personagem principal de "Aquarius", interpretada pela atriz Sônia Braga, que tem que enfrentar injustiças impostas por um imponente sistema, e a presidente afastada Dilma Rousseff. Para o diretor, o longa-metragem não tinha o objetivo de retratar a saga da chefe de Estado, "mas se o filme expele algo que acontece hoje no Brasil, não é mera coincidência".

Segundo ele, as obras de arte têm o papel de expressar a verdade. "Quando você quer fazer algo que têm origem em incômodos e raivas da sociedade, a tendência é tratar questões que são reais", ressalta.

Sem citar líderes ou partidos, Mendonça Filho elogia o investimento do governo, nos últimos anos, em cultura e educação. "Um governo que não investe nestas áreas não está preocupado com sua própria sociedade", diz. Segundo ele, uma administração que só se preocupa com economia prejudica a população. "O mercado é cruel e toma decisões através de números. O que nós precisamos é de uma sociedade humanizada", conclui.

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