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Brasil

Diante do caos político, Dilma pode voltar à presidência, diz Le Monde

Dilma Rousseff foi afastada da presidência no dia 12 de maio.
Dilma Rousseff foi afastada da presidência no dia 12 de maio. REUTERS/Ricardo Moraes
Texto por: RFI
3 min

"A terra treme no Brasil", publica o jornal francês Le Monde que chegou às bancas na tarde desta terça-feira (7). Com a falta de credibilidade do governo de Michel Temer e o caos político que o país enfrenta, Dilma Rousseff, considerada até há pouco tempo como "politicamente morta", vê aumentar as chances de retomar seu mandato, escreve o diário.

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Depois do afastamento da presidente brasileira, no dia 12 de maio, uma parte da sociedade esperava que o país saísse da crise, o que não aconteceu, ressalta a correspondente do Monde no Brasil, Claire Gatinois. "O governo do presidente interino, Michel Temer, ainda enfrenta uma sociedade revoltada. A governabilidade continua frágil. E, sobretudo, a falta de credibilidade continua a envolver uma elite política implicada na operação Lava Jato", diz.

O jornal lembra que, em menos de três semanas, o antigo "parceiro" de Dilma Rousseff, que anunciou um governo de "união nacional", viu cair dois de seus ministros, Romero Jucá, que tinha a pasta de Planejamento, e Fabiano Silveira, que coordenava o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle. O primeiro caiu devido à divulgação de escutas nas quais evoca a necessidade de um "pacto" para interromper as investigações sobre a corrupção na Petrobras. Já Silveira apresentou sua demissão depois que gravações de ligações telefônicas suas para o presidente do Senado, Renan Calheiros, vieram a público. No áudio, ele dá conselhos de como o senador deve agir em relação às investigações na Lava Jato.

Como se não bastasse, ressalta Le Monde, na segunda-feira (6), a Folha de S. Paulo revelou que o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, também era visado pelas investigações da Lava Jato. "O sistema está apodrecendo", diz o professor da Universidade de La Rochelle, Laurent Vidal, historiador especialista em Brasil, entrevistado pelo jornal.

A culpa não é do PT

Segundo Le Monde, os brasileiros descobriram que a corrupção não é inerente ao PT. "Todo o sistema político está gangrenado", escreve, lembrando as acusações de corrupção que se acumulam contra o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e as suspeitas de irregularidades em relação ao ex-candidato à presidência do PSDB, Aécio Neves. "Mais de um terço dos parlamentares estão sendo investigados. Até mesmo a probidade do Supremo Tribunal Federal é questionada", escreve o diário.

"É preciso fazer uma limpa", acredita o cientista político Carlos Melo, professor do Instituto de Estudos Superiores Insper, de São Paulo, entrevistado pelo jornal. Segundo ele, além de uma mudança de políticos, é preciso também repensar as práticas, como o financiamento das campanhas eleitorais e a continuidade do foro privilegiado.

Le Monde conclui que uma reforma política se torna a cada dia mais necessária. "Mas ela pode ser realizada? Por quem?", questiona. Em entrevista ao vespertino, o escritor Fernando Gabeira diz acreditar que o sistema deve ser "implodido" e reconstruído com os "sobreviventes". "Resta saber quem sobreviverá a este tsunami", conclui o jornal.

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