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Eurocopa 2016

Eurocopa: Jornalistas brasileiros são agredidos por torcedores em Paris

O cinegrafista Fernando Henrique de Oliveira disse à polícia ter sido insultado e agredido fisicamente pelos torcedores alemães.
O cinegrafista Fernando Henrique de Oliveira disse à polícia ter sido insultado e agredido fisicamente pelos torcedores alemães. Captura de vídeo - TV Band
Texto por: RFI
4 min

A violência de alguns torcedores durante a Euro 2016 não poupa nem os repórteres que cobrem o evento – e atingiu jornalistas brasileiros nesta quinta-feira (16), em Paris. A equipe da emissora Band foi agredida física e verbalmente por torcedores alemães, em um ato que teve repercussão na imprensa estrangeira.

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O incidente ocorreu em frente à Gare du Nord, na capital francesa, horas antes da partida entre a Alemanha e a Polônia. A repórter Sônia Blota e o cinegrafista Fernando Henrique de Oliveira entrevistavam torcedores na rua quando foram cercados por um grupo de dezenas de turistas alemães, aos gritos de “go out, niggers” (saiam, negros).

“Nós ficamos assustados, não entendemos muito a reação, mas um deles pegou um tipo de bastão e começou a nos empurrar, como se fosse nos agredir. Nós começamos a nos afastar, mas ele veio atrás e eu achei que ele iria bater com esse pedaço de madeira na Sônia”, relatou Oliveira, à RFI. “Eu tentei protegê-la e neste momento ele deu um chute na perna dela. Quando me virei, ele repetiu ‘go out, niggers’ e me deu um tapa na cara”, disse.

Imagem mostra um grupo de torcedores alemães nos arredores da Gare du Nord, local da agressão contra os jornalistas da TV Band.
Imagem mostra um grupo de torcedores alemães nos arredores da Gare du Nord, local da agressão contra os jornalistas da TV Band. Captura de vídeo BandTV

Reação da polícia decepciona

A dupla então se dirigiu à polícia, que estava nas imediações, e pediu ajuda. Segundo o cinegrafista, um policial identificado como comandante respondeu que não poderia prender os agressores porque os jornalistas não foram feridos gravemente. Além disso, o comandante teria alegado que, se a polícia interviesse, um confronto maior poderia se iniciar, uma vez que os conflitos entre as forças de ordem e os hooligans estão frequentes desde o início da Eurocopa.

“Foi um ato de intolerância racial. O pior foi a agressão moral. Foi um tapa e um chute na alma", lamentou Sônia, à RFI.

Os jornalistas foram orientados a fazer um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima. No local, Oliveira aguardou quatro horas até ser atendido e registrou a queixa. “A gente aguarda que aconteça alguma coisa e que outros não sofram agressões desses hooligans travestidos de torcedores”, declarou o cinegrafista, que divulgou o episódio em um post no Facebook.

Repercussão

O caso foi relatado na imprensa internacional. O site em inglês Goal, especializado em futebol, conta que “jornalistas brasileiros são atacados e sofrem ofensa racial”. A reportagem foi retomada pelo russo Sputnik, nas versões em francês e inglês.

No Brasil, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) divulgou uma nota de repúdio ao incidente. O texto, assinado pelo presidente Daniel Pimentel Slaviero, considera “deplorável que jornalistas brasileiros sejam vítimas de ofensas racistas e agressões de qualquer tipo no Brasil ou no exterior”.

“É ainda mais assustador saber que a polícia francesa, que deveria zelar pela segurança da imprensa e dos torcedores, nada fez; apenas alegou que não houve ferimentos graves”, afirma a nota.

 

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