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Imprensa

Le Monde diz que Marcelo Odebrecht é metralhadora que faz tremer Brasília

Jornal Le Monde desta terça-feira (28) publica o perfil do ex-presidente da Odebrecht.
Jornal Le Monde desta terça-feira (28) publica o perfil do ex-presidente da Odebrecht. Le Monde
Texto por: RFI
4 min

"Marcelo Odebrecht, a metralhadora brasileira" é o título de uma matéria que ocupa uma página inteira do jornal le Monde que chegou às bancas nesta terça-feira (28). A correspondente do diário em São Paulo retoma a história do "príncipe dos empresários, que faz tremer Brasília”, como chama o ex-presidente da empreiteira Odebrecht, condenado a mais de 19 anos de prisão no escândalo da Petrobras.

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De acordo com a jornalista Claire Gatinois, no dia em que o último recurso de Marcelo Odebrecht foi rejeitado pela Justiça, em abril, o empresário chorou. "O ex-presidente do grupo que leva seu sobrenome compreendeu, então, que o Brasil mudou", analisa Gatinois.

Condenado a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, ele se dá conta que "as táticas que garantem a impunidade dos colarinhos brancos não têm mais espaço" no Brasil "ou, ao menos não acontecem mais tão facilmente", diz o jornal, que descreve Marcelo Odebrecht como um dos protagonistas do escândalo Lava Jato.

"Do fundo de sua cela", diz o diário, as confissões de Marcelo Odebrecht fazem Brasília suar frio. Tanto que as declarações do empresário são descritas pelo ex-presidente José Sarney (PMDB) como "uma metralhadora".


História da empreiteira Odebrecht

O jornal também resgata a história da família Odebrecht, descendentes de prussos da Pomerânia, que chegaram ao Brasil na metade do século XIX. O bisavô de Marcelo, Emilio Odebrecht, funda uma empresa de engenharia no Nordeste, projeto que prospera até o início da Segunda Guerra Mundial. Em 1944, seu filho retoma os negócios e cria o grupo Odebrecht em Salvador.

A empreiteira começa a crescer a partir dos anos 50, depois de se aproximar da Petrobras, e "se beneficiar da confiança dos militares". O enriquecimento da empresa se dá justamente durante a ditadura militar, quando o grupo é encarregado da construção do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e da usina nuclear de Angra dos Reis.

Sob o governo Lula, a partir de 2003, a Odebrecht dá "um salto estratosférico", escreve Le Monde. Entre 2003 e 2014, o faturamento passa de R$ 17,3 bilhões para R$ 107 bilhões, ressalta. Além disso, escreve a jornalista, a empreiteira "acompanha Luiz Inácio Lula da Silva em seu exercício de diplomacia econômica durante e após seu segundo mandato, quando o ex-presidente se torna palestrante do Instituto Lula".

“Odebrecht entrou no jogo”

Marcelo Odebrecht é acusado no Brasil de ter ido "muito longe, muito rápido", ao se encarregar de grandes projetos, tais como a construção da Arena Corinthians para a Copa do Mundo, do porto Mariel, em Cuba, e da residência olímpica para os Jogos do Rio 2016, além de ter repassado mais de R$ 85 milhões a vários partidos e candidatos. Mas, segundo Le Monde, ele teria apenas continuado uma prática de seus antecessores na empreiteira.

Para uma fonte próxima da empresa entrevistada pelo jornal, "a Odebrecht entrou no jogo", diz, explicando que no Brasil fazer negócios significa depender do mundo da política e de consequentes retribuições. "Neste país, as grandes empresas se alimentam do Estado - investidor que se lança na construção de obras públicas espetaculares e oferece facilidades de financiamento, graças ao banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)", reitera Le Monde.

“O exercício de arrependimento de Marcelo Odebrecht é o sinal de uma mudança?”, questiona o jornal. Em uma carta dirigida a seus empregados, no dia 6 de junho, o novo presidente do grupo, Newton de Souza, admitiu que a empresa teve um comportamento "incompatível" com o modelo de administração empresarial que deve gerir a relação entre os setores público e privado. "Em seguida, o grupo anunciou sua adesão ao pacto mundial das Nações Unidas que engaja as empresas a respeitar o código de bom comportamento". Um sinal, segundo o jornal, de transformação.

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