Deusa grega da vitória ganha formas brasileiras em medalhas olímpicas

A cobiçada medalha de ouro que será distribuída durante os Jogos do Rio, com a deusa grega da vitória com formas "abrasileiradas".
A cobiçada medalha de ouro que será distribuída durante os Jogos do Rio, com a deusa grega da vitória com formas "abrasileiradas". REUTERS/Sergio Moraes

A deusa grega da vitória, Nice (“Niké”, em grego), ganhou curvas mais generosas, à imagem da mulher brasileira, para estampar as 5.130 medalhas de ouro, prata e bronze que serão distribuídas aos atletas ao longo dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio.

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Como é costume desde os Jogos de Atenas, em 2004, umas das faces da medalha olímpica representa Nice, a deusa grega da vitória, com o Partenon grego em segundo plano, "mas cada país faz sua adaptação", explica Nelson Carneiro, escultor encarregado da fabricação das medalhas na Casa da Moeda do Brasil.

"O Rio de Janeiro é uma cidade cheia de curvas, com o mar, suas colinas, como o corpo da mulher brasileira. Por isso, dei mais curvas à Nice, fiz coxas mais grossas e o quadril mais largo", declarou.

Um vez esculpida com massa de modelar sobre um disco de gesso, o protótipo é enumerado e enviado a uma impressora 3D que fabrica, por sua vez, um molde em aço. Em seguida, este molde é colocado numa prensa hidráulica e golpeado três vezes, dando forma às medalhas. Finalmente, as medalhas são escovadas manualmente para a retirada de qualquer resíduo e em seguida envernizadas.

"É uma medalha especial feita para o maior evento do mundo. Quando o atleta receber a medalha, vai parecer que estou sendo condecorado também", afirma com orgulho Nelson Carneiro.

Pesadas, mas ecológicas

Redondas, com 8,5 cm de diâmetro e o centro em relevo, as medalhas olímpicas pesam 500 gramas, 100 gramas a mais que as dos Jogos de Londres de 2012, e são as mais pesadas da história.

As medalhas de ouro, destinadas aos campeões olímpicos e paralímpicos, são compostas de 494 gramas de prata (92,5% de pureza) e banhadas em seis gramas de ouro (99,2%). As medalhas dos vice-campeões são 100% feitas de prata, enquanto as de bronze são compostas de 475 gramas de cobre e 25 gramas de zinco.

As medalhas dos Jogos Paralímpicos possuem pequenas esferas de aço que emitem um som diferente para cada tipo, ajudando no reconhecimento para os deficientes visuais, e possuem a inscrição "Rio-2016 Paralympic Games", em braille, além de terem sido fabricadas respeitando o meio ambiente.

A fita das medalhas é 50% composta por fios de garrafas pet recicladas. Mais de 30% da prata e do bronze utilizados na fabricação das condecorações são originários de materiais recicláveis e não contêm mercúrio.

A vigilância na Casa da Moeda

Localizada num bairro isolado de Santa Cruz, a 65 km do Rio, a Casa da Moeda parece um verdadeiro bunker, cercada por torres de controle e vigiada 24h por dia por câmeras. A entrada só é permitida após passagem por um detector de metais, sempre sob os atentos olhares de agentes de segurança. Uma revista é feita na saída.

"É aqui também que são fabricadas as moedas e notas de banco em circulação em todo o país, além dos passaportes brasileiros e dos selos postais", explica Victor Hugo Berbert, gerente do setor de medalhas.

A fabricação das medalhas olímpicas e paraolímpicas começou há um mês e continua até o dia 31 de julho: serão 2.488 condecorações para os Jogos Olímpicos, que acontecem entre os dias 5 e 21 de agosto, e 2.642 para as Paralimpíadas, entre os dias 7 e18 de setembro.
 

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