Terrorismo/Olimpíada

Ataque de Nice pode fazer Abin ajustar plano de segurança na Olimpíada do Rio

Luiz Alberto Santos Sallaberry, diretor de contraterrorismo Abin (d) ao lado de Paulo de Oliveira Campos, embaixador do Brasil na França.
Luiz Alberto Santos Sallaberry, diretor de contraterrorismo Abin (d) ao lado de Paulo de Oliveira Campos, embaixador do Brasil na França. RFI/Gabriel Brust

O diretor de contraterrorismo da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Alberto Santos Sallaberry, obteve informações junto a autoridades francesas sobre a investigação do atentado de Nice e disse, nesta quinta-feira (21), em Paris, que elas serão “valiosíssimas” no planejamento de segurança da Olimpíada do Rio.

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Dois oficiais da Abin e um da Polícia Federal brasileira passaram os últimos dois dias na capital francesa em encontros com órgãos como a Direção Geral de Segurança Interna (DGSI). “Os nossos planejamentos estão prontos, robustos, mas pequenos ajustes podem ser necessários”, disse Sallaberry, sem detalhar quais seriam essas melhorias. Ele informou apenas de que se trata de “um conjunto de informações que são especialmente importantes para o trabalho de inteligência e segurança para os Jogos Olímpicos.”

“Viemos ver qual é a expertise da França e dos que estão investigando o atentado de Nice e levar isso às nossas autoridades, para elas tomarem as decisões que acharem adequadas”, explicou o diretor da Abin.

Sallaberry confirmou que Paris pediu um reforço na segurança da delegação francesa e disse se tratar de uma solicitação “natural”, após o ataque ocorrido em Nice, que deixou 84 mortos e mais de 200 feridos. Mas negou que o presidente francês François Hollande vá receber um esquema de proteção diferenciado, como chegou a ser noticiado pela imprensa brasileira nesta semana. “Todas as delegações terão tratamento elevado de segurança, cada uma dentro de suas características específicas”, disse o oficial.

Brasil recebe dezenas de supostas ameaças de atentados por dia

O embaixador do Brasil em Paris, Paulo Cesar de Oliveira Campos, disse que tanto França quanto Estados Unidos, entre outros países, foram convidados a designar oficiais de seus serviços de inteligência para trabalhar nos centros de segurança do governo brasileiro. A França terá dois agentes em Brasília e dois no Rio de Janeiro.

O diretor de contraterrorismo da Abin não deu detalhes sobre a investigação que levou à prisão, nesta quinta-feira, de 10 pessoas suspeitas de planejar uma ataque durante a Olimpíada, mas disse que o órgão recebe “dezenas de supostas ameaças” diariamente. Uma parte delas apresenta necessidade de investigação minuciosa, mas Sallaberry não precisou quantas.

O diretor da Abin reafirmou que a grande preocupação sobre eventuais ataques durante os jogos olímpicos continua sendo a atuação de indivíduos isolados. “O nível da ameaça para os jogos é aquele que já estava previsto: são os lobos solitários. Essa é uma tendência mundial, não se verifica só no nosso país”, disse Sallaberry.

A delegação brasileira que deixou a França nesta quinta-feira foi formada ainda pelo Coordenador de Análise, oficial de inteligência Ronaldo Zonato Esteves, e pelo Coordenador-adjunto do Centro Integrado Antiterrorismo, delegado da Polícia Federal Camilo Graziani Caetano Paes de Almeida.

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