Terrorismo

Polícia prende grupo que planejava atentado durante Jogos Olímpicos de Rio

Soldados do exército brasileiro já haviam realizado exercícios de simulação de ataque terrorista no fim de semana no Rio de Janeiro.
Soldados do exército brasileiro já haviam realizado exercícios de simulação de ataque terrorista no fim de semana no Rio de Janeiro. REUTERS/Bruno Kelly

Um grupo que estaria preparando um atentado durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro foi detido nesta quinta-feira (21). Os suspeitos foram presos em São Paulo e no Paraná, durante a primeira operação antiterrorismo antes da competição esportiva.

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Segundo informações divulgadas pela imprensa brasileira, a operação secreta foi organizada pela Divisão Antiterrorismo da Polícia Federal. Os suspeitos estão sendo apresentados pelas autoridades como membros de uma célula do grupo Estado Islâmico (EI) no Brasil, que teria sido recrutada pela internet. A prisão teria sido feita graças a trocas de mensagens na redes sociais entre os suspeitos e os extremistas, interceptadas pela polícia.

Nas conversas, alguns dos supostos terroristas teriam jurado lealdade ao EI, trocado informações sobre compras de armas e possíveis alvos de ataques no Rio de Janeiro. A Polícia Federal não divulgou a identidade dos detidos, mas já se sabe que um menor de idade estaria envolvido.

Brasil em alerta

O medo de um atentado terrorista durante os Jogos Olímpicos, que começam em 5 de agosto, é uma das principais preocupações das autoridades brasileiras, principalmente após o ataque de Nice, no dia 14 de julho. Uma delegação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) está em Paris neste momento, para participar de reuniões de trabalho sobre o tema com representantes do governo francês. 

“O ataque em Nice envia um sinal para as autoridades brasileiras e internacionais, policiais e militares, para ficarem ainda mais atentos do que já estavam”, afirma Robert Muggah, especialista canadense em violência e diretor do Instituto Igaparé, que estuda a questão no Brasil. Ele avalia que, nos últimos meses, a ameaça de uma ação a partir do exterior ou de um lobo solitário se mostrou muito maior no país. Para ele, os ataques na França "são um sinal para o Brasil acordar".

Em entrevista à RFI, o professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences-Po) Alfredo Valladão disse que o risco de um ataque não dever ser subestimado. Ele lembra que “o terrorismo atualmente é globalizado” e o contexto da Olimpíada do Rio de Janeiro pode acentuar esse risco também no Brasil. “Os Jogos Olímpicos representam um momento importante, pois é um evento mundial, visto por milhões de pessoas pela televisão, tornando-se um local perfeito para qualquer tipo de atentado terrorista”, comenta. “Tudo é possível. O problema é saber se o Brasil está preparado para esse tipo de ataque”, conclui.

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