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A Semana na Imprensa

Revista francesa apresenta Brasil como “o outro país do sol nascente”

Áudio 03:04
Reportagem do Le Monde conta a história da integração da comunidade japonesa em São Paulo.
Reportagem do Le Monde conta a história da integração da comunidade japonesa em São Paulo. Reprodução/ Le Monde
Por: Silvano Mendes
7 min

A revista do jornal Le Monde deste sábado (23) traz uma reportagem de seis páginas sobre a presença dos descendentes de japoneses no Brasil, a maior comunidade nipônica fora do Japão. O texto faz parte de uma série de matérias que precedem os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

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O texto começa com uma entrevista de Ruy Ohtake, apontado como “um dos arquitetos mais famosos da capital econômica do Brasil” e pai do hotel Unique, “um dos emblemas de São Paulo”. A cidade, aliás, é apresentada como uma “Nova York sul-americana”, com seu parque do Ibirapuera que ganha ares de Central Park.

Le Monde explica que descendentes dos imigrantes japoneses seriam cerca de dois milhões no país. A maioria deles baseados no estado de São Paulo, que conta com aproximadamente 600 mil nikkei, “esses brasileiros que têm um pouco – ou bastante – ADN de origem nipônica”. Por essa razão, o Brasil é apresentado como “outro país do sol nascente”.

O texto conta como foi a chegada da comunidade no Brasil, no início do século passado, quando, após a abolição da escravidão, em 1888, o país precisava de mão-de-obra para trabalhar nas plantações de café. A reportagem explica que os primeiros a cumprir esse papel foram os italianos, acolhidos “para branquear, sem vergonha, a população”. Mas diante das péssimas condições oferecidas a esses imigrantes, Roma interrompeu o processo, abrindo as portas para os japoneses, “que fugiam da miséria no Japão”, como ressalta o professor da Universidade de São Paulo (USP), Koichi Mori, entrevistado pela revista do Le Monde.

A reportagem explica que os primeiros japoneses no Brasil praticamente não se misturavam com os brasileiros, “mantendo um culto nostálgico do país do sol nascente” para o qual pensavam em voltar um dia. Mas a situação mudou após a Segunda Guerra Mundial, quando esses imigrantes, acompanhados de uma nova leva que deixou o Japão destruído pelo conflito, entenderam que deveriam se integrar. A partir de 1958, o número de casais bi-nacionais explodiu, e passou de 13% a 46%, segundo o professor Mori.

“Cinco gerações mais tarde, os nikkei estão perfeitamente integrados em São Paulo. A ponto de constituírem uma das forças vivas da metrópole de 20 milhões de habitantes”, comenta a revista.

Dekassegui

Le Monde explica que a comunidade de origem japonesa também integrou, aos poucos, a elite da capital econômica do Brasil. “Na Universidade de São Paulo, a mais prestigiosa, eles detém 13% das vagas, quando só representam 1% da população total do país. Uma estatística que ilustra o sucesso deles”, analisa a reportagem.

O texto também conta a saga dos dekassegui, os nipo-brasileiros que foram para o Japão trabalhar, reforçando ainda mais os elos entre os dois países. “O fenômeno varia de uma década para outra, em função das necessidades econômicas do Japão e também das crises no Brasil”, relata a revista. Mas com a situação atual brasileira, o movimento migratório para o país do sol nascente tem retomado, analisa a reportagem.

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