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Linha Direta

Data do julgamento final do impeachment de Dilma gera polêmica

Áudio 04:41
O relator da comissão de impeachment no Senado, Antonio Anastasia, o advogado da presidente Dilma, José Eduardo Cardozo, e o presidente da comissão, senador Raimundo Lira, em Brasília, no dia 6 de julho de 2016.
O relator da comissão de impeachment no Senado, Antonio Anastasia, o advogado da presidente Dilma, José Eduardo Cardozo, e o presidente da comissão, senador Raimundo Lira, em Brasília, no dia 6 de julho de 2016. REUTERS/Ueslei Marcelino
Por: RFI
9 min

O parecer do senador Antonio Anastasia, do PSDB, será lido nesta terça-feira (2) na Comissão do Impeachment, dando andamento ao processo contra a presidente Dilma Rousseff. As datas da votação do relatório na comissão e no plenário já estão definidas. Mas o dia do julgamento final ainda está em aberto, gerando muita polêmica.

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Luciana Marques, correspondente da RFI em Brasília

O relatório do senador Anastasia será analisado pelos 21 senadores que compõem a comissão do impeachment. Outros partidos como PT, PDT, PCdoB e Rede vão apresentar votos em separado para contrastar o de Anastasia, que deve ser a favor do impedimento de Dilma. A votação na comissão será na quinta-feira (4) e no plenário, no próximo dia 9.

Mas o que está gerando polêmica mesmo é a data do julgamento final de Dilma Rousseff, caso o processo não seja arquivado antes. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewadowski, prevê que a sessão ocorra no dia 29 de agosto. Antes a data prevista era 26 de agosto, mas o presidente do Senado, Renan Calheiros, atuou para adiar a votação.

O julgamento ocorrerá depois do encerramento das Olimpíadas do Rio, dia 21 de agosto. Mas vai ocorrer durante os jogos das Paraolimpíadas. Quem preside é Lewandowski que, aliás, deixa o cargo no dia 10 de setembro.

Julgamento final deve durar uma semana

A expetativa é que o julgamento dure uma semana. Alguns senadores com quem conversei, como Alvaro Dias, do partido Rede, acreditam que o processo dure até 10 dias. De qualquer forma, terminaria antes de Lewandowski deixar a presidência do Supremo. Alvaro Dias afirmou ainda que não vê grande diferença adiar o julgamento por 3 dias e que acha prudente dar tempo ao tempo.

Quem não gostou desse adiamento foi o governo interino. O senador Romero Jucá, que chegou a ocupar o Ministério do Planejamento do governo Temer e foi demitido após denúncias da Lava Jato, reclamou da tentativa de defensores da presidente Dilma de postergar o que chamou de agonia.

“O Brasil todo espera por uma solução definitiva. Aliás, o mundo espera por uma solução definitiva”, disse Jucá no plenário. O senador questionou como o presidente interino Michel Temer poderá participar da reunião do G20, na China, no começo de Setembro sem o desfecho do processo. Ele acusou os “seguidores da Presidenta Dilma de tentar postergar essa agonia.”

Momento político delicado para o PT

Tudo isso ocorre no momento em que o ex-presidente Lula virou réu por tentar obstruir a justiça. O desânimo do PT é geral, porque além da situação complicar para Lula, tem a delação premiada dos marqueteiros de Dilma, que admitiram ter recebido dinheiro de caixa dois.

Outro fato que marcou o começo desta semana foi a denúncia contra Paulo Bernardo, que foi ministro de Dilma e é marido da senadora Gleisi Hoffmann, do PT. Ele é acusado pelo Ministério Público de corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro, em uma operação desdobramento da Lava Jato. Gleisi rebateu no plenário do Senado as denúncias contra Paulo Bernardo, Lula e Dilma.

Segundo a senadora, “são vários os cercos e as ações promovidas (…) para assegurar a aprovação do impeachment a qualquer custo”. Ela disse que foi “absolutamente incompreensível”, o Presidente Lula ter virado réu. Gleisi ressaltou que o ex-presidente “não foi denunciado por nenhum crime; foi denunciado porque obstruiu a Justiça. Não foi denunciado por desvio, não foi denunciado por nada disso.”

A previsão é que em setembro, um mês antes das eleições municipais em todo o país, os brasileiros saberão quem será de fato presidente da República.

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