"Pensam que nos venceram, mas estão enganados", diz Dilma após impeachment

Dilma Rousseff momentos antes do pronunciamento
Dilma Rousseff momentos antes do pronunciamento AFP
Texto por: Augusto Pinheiro
3 min

Sob aplausos e gritos de militantes e políticos do PT, a ex-presidente Dilma Rousseff afirmou em um pronunciamento no Palácio do Alvorada, em Brasília, na tarde desta quarta-feira (31), que o impeachment é "o segundo golpe que enfrenta na vida" e que promete recorrer "em todas as instâncias possíveis".

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"Hoje o Senado Federal tomou uma decisão que entra para a história das grandes injustiças. Os senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a Constituição Federal. Decidiram pela interrupção do mandato de uma presidenta que não cometeu crime de responsabilidade. Condenaram uma inocente e consumaram um golpe parlamentar", afirmou no início do discurso, cercada também por líderes de movimentos sociais.

A ex-presidente disse que, com a aprovação do seu afastamento definitivo, "políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da Justiça tomarão o poder unidos aos derrotados nas últimas quatro eleições". "Eles não ascendem ao governo pelo voto direto, como eu e Lula fizemos em 2002, 2006, 2010 e 2014. Apropriam-se do poder por meio de um golpe de Estado."

"Segundo golpe que enfrento"

Dilma disse que esse é o segundo golpe de Estado que enfrenta na vida. "O primeiro, o golpe militar, apoiado na truculência das armas, da repressão e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar desfechado hoje por meio de uma farsa jurídica, me derruba do cargo para o qual fui eleita pelo povo."

Para ela, trata-se de "uma inequívoca eleição indireta, em que 61 senadores substituem a vontade expressa por 54,5 milhões de votos". "É uma fraude, contra a qual ainda vamos recorrer em todas as instâncias possíveis", anunciou.

Ela afirmou que "o projeto nacional progressista, inclusivo e democrático" que representa "está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária, com o apoio de uma imprensa facciosa e venal". "Vão capturar as instituições do Estado para colocá-las a serviço do mais radical liberalismo econômico e do retrocesso social."

Golpe contra os movimentos sociais

Segundo Dilma, o golpe não foi cometido apenas contra ela e o PT. "O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções: direito ao trabalho e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito à educação, à saúde e à cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua história; direitos dos negros, dos indígenas, da população LGBT, das mulheres; direito de se manifestar sem ser reprimido."

Ele fez um apelo no final: "A descrença e a mágoa que nos atingem em momentos como esse são péssimas conselheiras. Não desistam da luta. Eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer".

Clique aqui para ler a íntegra do pronunciamento.
 

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