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Meio Ambiente

Crescimento da energia eólica se consolida no Brasil

Áudio 06:04
Leaflet/Creative Commons
Por: RFI
11 min

Um ar de prosperidade no setor de energias renováveis sopra com força no Brasil. Os últimos dados da Câmara de Comercialização de Energia indicam um crescimento de 55% da geração de energia eólica no país no primeiro semestre deste ano. Em expansão, o setor responde por 7% de toda a energia produzida no país.

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A participação ainda está muito atrás das hidrelétricas, que despontam com mais de 60%, seguidas pelas termelétricas, uma das fontes mais sujas de energia. As perspectivas são animadoras quando se pensa que o potencial eólico do país ainda é subavaliado, como ressalta Ildo Sauer, especialista em energias renováveis da Universidade de São Paulo (USP).

“O Brasil vai ter que rever o quadro regulatório, os investimentos em pesquisa do potencial eólico e sua avaliação, para que a gente consiga fazer primeiro os melhores projetos. Hoje, a medição de vento é considerada um segredo empresarial, por isso não estamos seguindo a sequência dos melhores projetos e de menor custo primeiro. Estamos seguindo os que atendem aos interesses de certos grupos econômicos”, destaca Sauer, que é ex-diretor da Petrobras. “Nós temos recursos: falta organização, planejamento e gestão. Só isso.”

Atualmente, o setor está consolidado no Sul e no Nordeste do Brasil, regiões com os melhores ventos. Mas Sauer destaca que áreas ainda pouco exploradas podem ser promissoras.

“O potencial de São Paulo, por exemplo, é inferior, mas não é desprezível. Tem outras regiões do Brasil, no Centro-Oeste, como no Tocantins, Goiás, no planalto”, afirma. “Há mapas eólicos menos favoráveis, mas não desprezíveis. Eles só precisam ser melhor avaliados.”

O aumento da produção no primeiro semestre se deve à ampliação da capacidade instalada das 400 usinas. Sauer indica que o desenvolvimento tecnológico fez com que o potencial estimado passasse de 140 mil MW para 300 mil MW. Esse valor, no entanto, ainda pode ser bem maior e depende da realização de estudos aprofundados.

Tecnologia aumenta o potencial de produção e diminui os custos

Nesta semana, o maior evento latino-americano do setor, o Brazil Windpower, reúne as gigantes das eólicas para apresentar os últimos lançamentos. Na feira, que ocorre no Rio de Janeiro, a Dois A Tower System, do Rio Grande do Norte, mostra um projeto inovador para reduzir o peso e a espessura das torres e elevar em até 300% a resistência à compressão.

Desta forma, as geradoras podem ser ainda mais altas, com maior potencial de produção de energia. O projeto é feito em parceria com a multinacional Lafarge Holcim S.A.

“Buscamos que novos aerogeradores mais potentes e mais altos possam ser instalados no mercado brasileiro, gerando mais competitividade para os empreendedores e reduzindo o custo da energia gerada”, explica o gerente de Operações da Dois A Tower System, Felipe Vieira de Castro. “Como os ventos entregam mais energia a maiores alturas, os parques eólicos terão necessidade de menos aerogeradores para a mesma quantidade de energia. Obviamente, também reduzem o impacto ambiental desses parques, uma vez que a necessidade de utilização do solo diminui.”

Mais consciência ambiental

Para Castro, o grande desafio do setor no Brasil é aperfeiçoar as redes de linhas de transmissão, especialmente no Nordeste. Ele indica que, num país onde as hidrelétricas reinam, as barreiras para a expansão da energia eólica estão caindo.

“O Brasil passa por um processo cada vez maior de conscientização. Os cidadãos têm muito claro que a energia eólica é muito menos agressiva do que as outras, como a termetétrica ou a hidrelétrica”, constata. “Entendo que é um caminho sem volta, uma trilha que o Brasil traçou e deve continuar por ela, para garantir não só o abastecimento de energia para o país, como garantir que ela terá o menor impacto ambiental possível.”

Ildo Sauer observa que o Brasil se beneficiou da redução dos custos das plantas eólicas nos últimos anos, depois que o setor se desenvolveu na Europa e nos Estados Unidos. A crise nos países desenvolvidos foi outro fator – as indústrias acabaram “desovando” projetos em países emergentes e com potencial, com custos atraentes.

 

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