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Le Monde/Meirelles

Le Monde apresenta "Henrique Meirelles, pai do rigor brasileiro"

Henrique Meirelles em entrevista coletiva no Ministério da Fazenda, em agosto.
Henrique Meirelles em entrevista coletiva no Ministério da Fazenda, em agosto. Valter Campanato/Agência Brasil
3 min

O jornal francês Le Monde traz na edição de terça-feira (13), um perfil do ministro da Fazenda do Brasil, Henrique Meirelles, que tem pela frente a “missão de tirar o Brasil da recessão, com reformas rígidas e impopulares”. Mas a tarefa não parece intimidar o ex-presidente do Banco Central nacional, diz a matéria.

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O jornal descreve o Brasil em tons catastróficos, dizendo que Meirelles vai enfrentar um Brasil “mergulhado numa recessão histórica, marcado por graves dificuldades orçamentárias, devastado pelo desemprego massivo e chacoalhado por manifestações quase cotidianas contra o novo governo – do qual ele faz parte”.

Para Le Monde, Meirelles tem a vantagem de ter participado indiretamente do governo Lula, o que o impede de ser odiado pela esquerda, e, ao mesmo tempo, de compartilhar as ideias da direita. Em 2003, apesar de ser da oposição, aceitou o convite do ex-metalúrgico para chefiar o Banco Central, o que serviu para acalmar o mercado, apavorado com a chegada do ex-sindicalista ao poder.

Anos Lula marcam crescimento espetacular

O resultado do período (2003 a 2011) foi um crescimento espetacular da economia, uma inflação sob controle e quitação da dívida externa com o Fundo Monetário Internacional (FMI). “Eu e Lula não tínhamos as mesmas posições, mas havia um respeito mútuo, eu tinha muita autonomia”, explica Meirelles ao Monde.

“Ele muda em função do vento”, confidencia um velho conhecido de Meirelles, que também o qualifica de muito ambicioso. Caso suas medidas tenham sucesso, ele pode alçar estatura de presidenciável, analisa o jornal francês, fazendo um paralelo com Fernando Henrique Cardoso, que chegou ao Palácio da Alvorada após domar a hiperinflação com o Plano Real, quando era ministro da Fazenda.

Henrique Meirelles busca o crescimento através do rigor, uma etapa necessária, segundo ele, para restabelecer a confiança do mercado, que vai permitir reduzir taxas de juros, relançar investimentos, consumo e empregos. Sua primeira medida, conta o jornal, visa limitar, durante 20 anos, a progressão de despesas do Estado ao ritmo da inflação. Outro projeto é de fixar para 65 anos a idade mínima para a aposentadoria.

Para representante da CUT, reformas são retrocesso

Para João Cayres, da CUT, citado pelo diário, “essas reformas vão levar o Brasil de volta aos anos 1990”. Ele alega que a reforma da aposentadoria vai favorecer os privilegiados que entraram no mercado de trabalho após a conclusão de estudos superiores, em detrimento dos mais pobres, que geralmente começam a trabalhar no final da adolescência.

Mereilles tem dois anos, antes das eleições presidenciais de 2018, para mostrar serviço. Le Monde lembra que alguns analistas já observaram que o governo atual, “em cinco meses falou bastante, mas fez pouco”.

 

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