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Thomas Coutrot: "Reforma da aposentadoria no Brasil é questionável"

Áudio 07:06
Thomas Coutrot, economista no Ministério do Trabalho francês, nos estúdios da RFI Brasil
Thomas Coutrot, economista no Ministério do Trabalho francês, nos estúdios da RFI Brasil RFI Brasil
10 min

Thomas Coutrot é economista e chefe do departamento de Condições de Trabalho e Saúde do Ministério do Trabalho da França. Ele comenta nesta entrevista a proposta de reforma da aposentadoria no Brasil, enviada ao Congresso Nacional para ser aprovada. O texto estabelece a idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem, com um tempo mínimo de contribuição de 25 anos. As novas regras vão valer para homens com menos de 50 anos e mulheres com menos de 45.Comparando com outros países, será que o Brasil começou muito tarde essa reforma? "Sua pergunta parte do pressuposto de que esta reforma seria justificada, seria necessária, o que é muito questionável. Na verdade, todas as reformas da aposentadoria que tiveram lugar no mundo inteiro, na Europa, principalmente nos últimos anos, tiveram o mesmo objetivo: reduzir os custos salariais porque a Previdência é financiada através de encargos sociais. Hoje em dia, o próprio FMI e a OCDE (Organização Para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) dizem que a questão da redução da massa de salários foi longe demais, houve um aumento muito grande das desigualdades sociais e agora isto cria dificuldade para o próprio crescimento econômico", diz o especialista.Coutrot pensa que hoje as instituições financeiras internacionais não pregam mais a redução dos gastos sociais porque se deram conta de que muitos países estão inibindo o crescimento econômico através da redução destes gastos com aposentadoria ou investimentos públicos. "Eu diria que o Brasil está fazendo essa reforma quando muitos paises estão se dando conta de que reduzir os gastos sociais, reduzir a massa dos salários, não é uma política que dará frutos no futuro", observa.Para o economista, não são os gastos que estão aumentando, mas os recursos públicos que estão diminuindo. Ele também explica que as pessoas com mais de 60 anos, na França, dificilmente acompanham o ritmo do trabalho e acabam tendo que se aposentar antes do tempo por problemas de saúde, pois o corpo não consegue continuar a atividade com a mesma energia de antes. "Não conseguem ficar no emprego até 65 anos. Quando o trabalho fica mais duro, é muito difícil obter resultados", observa o economista. 

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