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Teorias conspiratórias sobre morte de Teori ganham imprensa francesa

O ministro do STF e relator da Lava Jato, Teori Zavascki, morto em um acidente de avião na quinta-feira, 19 de janeiro de 2017.
O ministro do STF e relator da Lava Jato, Teori Zavascki, morto em um acidente de avião na quinta-feira, 19 de janeiro de 2017. Andressa Anholete / AFP
Texto por: RFI
4 min

As consequências da morte do juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, para a operação Lava Jato no Brasil, continuam em destaque na imprensa francesa desta terça-feira (24). O jornal Le Monde faz uma análise detalhada do caso e ressalta os boatos e as teorias conspiratórias que ganharam o Brasil e as redes sociais, após a queda do avião que levava o ministro do STF e relator do caso.

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Chocada com a tragédia e incrédula, uma parte da opinião pública brasileira é seduzida por essas versões de conspiração, aponta a matéria da correspondente do jornal em São Paulo, Claire Gatinois. O artigo ressalta que a imprensa brasileira compara com frequência a Lava Jato à operação “Mãos Limpas” na Itália, que provocou a morte do juiz Giovanni Falcone, responsável pela investigação. Falcone foi morto em um atentado em 1992.

Apesar de informar que as condições meteorológicas no momento do acidente com o avião não eram boas, a mídia brasileira dá ao mesmo tempo grande espaço para as declarações do filho do juiz do STF. Francisco Zavascki afirma que o pai recebeu várias ameaças de morte. Nas redes sociais, muitos internautas aconselham agora o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato e descrito pelo jornal como “xerife anticorrupção”, de tomar cuidado.

Desolação tomou conta do Brasil

Independentemente dos boatos e do delicado processo para a escolha do sucessor do relator no STF, Le Monde diz que o acidente “mergulhou o Brasil em uma profunda desolação”. “A morte de Teori pode comprometer a investigação que revelou um dos maiores escândalos de corrupção da história do país e que coloca em pânico Brasília?” pergunta a correspondente.

A queda do pequeno avião que levava o ministro do STF e mais quatro pessoas no mar na costa de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, pode mudar o curso da história, acredita o jornal. O futuro da Lava Jato depende agora do sucessor de Teori. Para complicar ainda mais a situação, o direito brasileiro levanta dúvidas sobre a pessoa que deve indicar seu sucessor.

Uma das regras diz que o novo magistrado deve ser nomeado por Michel Temer. Mas esta hipótese “cheira mal” uma vez que o presidente brasileiro é um dos suspeitos de envolvimento na Lava Jato, detalha o texto.

“Marco Aurélio é o nome ideal para substituir Teori”

A segunda opção, mais “plausível e aceitável”, é que a presidente do Supremo, Cármem Lúcia, escolha entre os outros ministros da casa o novo relator da Lava Jato. “O perfil ideal, que oferece a garantia da continuidade da investigação”, segundo Le Monde, é o do ministro Marco Aurélio Mello. O artigo diz que o ministro se sobressaiu em 2016 ao pedir a suspensão do mandato do presidente do Senado Renan Calheiros, envolvido em vários escândalos de corrupção.

De qualquer maneira, a morte trágica de Teori retarda a Lava Jato em um momento em que o Brasil estava na expectiva da revelação do conteúdo da delação premiada de Marcelo Odebrecht, um dos principais protagonistas do escândalo. Sua delação ameaça vários caciques políticos brasileiros, inclusive o presidente Michel Temer, conclui Le Monde.

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