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Les Echos: investidores estrangeiros apostam na recuperação da economia brasileira

Otimismo dos investidores estrangeiros em relação à recuperação da economia brasileira é o artigo do jornal francês Les Echos desta segunda-feira (20).
Otimismo dos investidores estrangeiros em relação à recuperação da economia brasileira é o artigo do jornal francês Les Echos desta segunda-feira (20). Marcello Casal Jr/Agência Brasil

"O Brasil de vento em popa nos mercados financeiros": esse é o título de uma matéria sobre a recuperação da economia brasileira publicada no jornal Les Echos que chegou às bancas na manhã desta segunda-feira (20). Em outra matéria, o diário ressalta que o escândalo da Odebrecht se espalha pela América Latina.

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"Bolsa em alta, dólar em baixa, assim como o risco-país. Os planetas parecem se alinhar para garantir uma performance positiva do Brasil nos mercados financeiros, enquanto, oficialmente, a economia ainda está em recessão", escreve o correspondente do Les Echos em São Paulo, Thierry Ogier. Enquanto o dólar se aproximou da barra dos R$ 3 na última semana - com uma baixa de mais de 20% em um ano - a bolsa brasileira registrou uma valorização de cerca de 120% em doze meses, ressalta o diário econômico.

O fenômeno é atribuído pelos especialistas aos investidores estrangeiros. Entrevistado pelo Les Echos, Lucas Tambellini, estrategista do banco Itaú BBA, explica que eles acreditam que a crise econômica já foi superada e que brevemente a economia do país vai voltar a crescer. A esse otimismo se adiciona uma programa de reformas econômicas bem definido, segundo Les Echos, e a queda dos juros.

"Entre os países emergentes, o único que tem uma bela história de reforma e crescimento para contar é o Brasil. Os investidores 'compram' o país visando o período de 2018-2019", quando o crescimento deve, de fato, acontecer, diz Tambellini.

Les Echos também ressalta que as boas previsões para a economia brasileira estão além dos fatores externos, como a forte valorização das matérias-primas. O diário cita como exemplo o minério de ferro, que registrou uma valorização de 80% em um ano. "Desta forma, o Brasil está se tornando um elemento fundamental na estratégia dos investidores estrangeiros nos mercados emergentes", diz o economista-chefe da empresa Gradual Investimentos, André Perfeito, entrevistado pelo Les Echos.

Escândalo da Odebrecht se espalha pela América Latina

Enquanto isso, o escândalo da Odebrecht se espalha pela América Latina. Esse é o assunto de outra matéria publicada pelo diário econômico nesta segunda-feira. Depois do Brasil, Panamá e Colômbia, é a vez do Peru ser denunciado por envolvimento no escândalo de corrupção. Um antigo diretor da Odebrecht no país, Jorge Barata, afirma ter repassado US$ 20 milhões à equipe do ex-presidente peruano Alejandro Toledo para as obras de uma grande rodovia, entre o Peru e o Brasil.

Les Echos ressalta que, quando começou suas atividades, a Odebrecht não passava de "um pequeno grupo brasileiro familiar e provinciano". Setenta anos depois, a empresa se tornou uma importante multinacional. Depois da explosão do escândalo da Petrobras no Brasil e em países latino-americanos, as irregularidades protagonizadas pela gigante se espalham também pela África, mais precisamente Angola e Moçambique, e também nos Estados Unidos, onde US$ 800 milhões de propinas foram repassados por representantes da Odebrecht para ludibriar os mercados públicos.

"A amplitude das ramificações deste escândalo é tão grave que representantes da Justiça de 12 países, entre eles Portugal, se reuniram há cerca de duas semanas em Brasília para intensificar o intercâmbio de informações. Uma maneira de fechar o cerco à corrupção nas multinacionais", avalia Les Echos.

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