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Imprensa

Michel Temer nunca escondeu gostar de privatizações, diz Les Echos

O presidente Michel Temer corre contra o relógio para colocar seus projetos em prática, diz diário econômico francês.
O presidente Michel Temer corre contra o relógio para colocar seus projetos em prática, diz diário econômico francês. Ricardo Botelho/Brazil Photo Press/LatinContent/Getty Images
Texto por: RFI
3 min

O jornal Les Echos desta sexta-feira (25), publica uma matéria sobre economia brasileira. Na manchete, "O Brasil lança uma vasta operação de privatizações para se recuperar".

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No texto, o correspondente do Les Echos em São Paulo, Thierry Ogier, escreve: "Michel Temer nunca escondeu gostar de privatizações. Mas desta vez, ele veio com tudo".

O jornalista explica que o governo brasileiro, enfraquecido por escândalos de corrupção e novas derrapagens orçamentárias, lançou uma contra-ofensiva nesta semana.

Primeiramente, publica Les Echos, houve o anúncio surpresa da privatização da Eletrobras, holding do setor elétrico. Dois dias depois, Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), publicou uma lista de 57 empresas públicas que devem ser privatizadas até o final de 2018, entre elas, 14 aeroportos, 15 terminais portuários, rodovias, 11 lotes de linhas de transmissão de energia elétrica em nove Estados e instituições públicas, como a emblemática Casa da Moeda.

Governo precisa urgentemente de dinheiro, diz o jornal

O governo não esconde sua intenção: "ganhar dinheiro e rápido!", escreve Les Echos. Brasília já teve que admitir que os déficits orçamentários seriam mais elevados do que o previsto, já que as reformas que Temer defende no Congresso trarão efeitos apenas a longo prazo. No total, destaca o diário econômico, o governo espera obter R$ 44 bilhões, R$ 6 bilhões apenas com a privatização do aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Congonhas, aliás, escreve Les Echos, é o foco do governo, depois da Eletrobras. Segundo fontes entrevistadas pelo jornal, os chineses estariam interessados por esse importante aeroporto na capital econômica do país.

De acordo com o especialista do setor da energia, Pedro Seraphim, ouvido por Les Echos, "o Estado brasileiro não tem mais meios de investir e modernizar suas infraestruturas". Segundo ele, como os investimentos privados são fracos, Brasília é obrigada a apelar aos investidores estrangeiros.

O mais irônico é que, se o programa de privatizações for aplicado ao pé da letra, até mesmo as notas de dinheiro serão impressas por uma empresa privada. O fenômeno é registrado pela primeira vez desde a criação da Casa da Moeda, no século 17, salienta Les Echos.

Timing apertado

Para colocar esses projetos em prática, Temer corre contra o relógio. "O timing está apertado", diz o diário, lembrando que 2018 é ano de eleição presidencial. A campanha eleitoral, que não deve ser das mais leves em um país politicamente polarizado e cansado dos escândalos de corrupção, pode minar a confiança dos investidores, conclui Les Echos, em matéria sobre economia brasileira em sua edição desta sexta-feira, 25 de agosto de 2017.

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