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RFI Convida

Temer deve ficar até 2018 porque “ninguém quer esse abacaxi”, diz economista

Áudio 06:59
O economista Jean-Yves Carfantan.
O economista Jean-Yves Carfantan. Reprodução Youtube
Por: Márcia Bechara
10 min

O RFI Convida desta quarta-feira (13) traz o economista Jean-Yves Carfantan, radicado no Brasil há mais de 30 anos, especialista em mercado de matérias-primas e diretor da empresa de consultoria AgroBrasConsult, em São Paulo.

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“Até o final do governo Temer – acho que ele vai permanecer até 2018 – há uma grande probabilidade da equipe econômica continuar”, afirmou o economista Jean-Yves Carfantan. “Muito provavelmente o governo não vai conseguir adotar uma reforma significativa da previdência social, do sistema de aposentadoria. Mas se o governo continuar nesta linha, aplicando o que ele começou desde 2016, eu acho que muito pouca coisa vai acontecer em termos de mercado, câmbio. O governo já conseguiu algumas vitórias, a inflação está derrubada”, disse.

“A visão dos mercados é que Michel Temer vai permanecer na Presidência porque ninguém quer tomar o lugar dele. Por que pegar esse abacaxi antes de 2018?”, provoca o economista. Para Carfantan, “Tudo vai correr mais ou menos tranquilamente do ponto de vista da economia até o final de 2018. O Governo Temer tem uma certa base de apoio no Congresso e usa várias técnicas, que a gente conhece, para consolidar esta base. Eu não vejo muitas possibilidades de crises significativas até 2018. A dificuldade começa depois”, analisou.

Armadilha das commodities

“De uma certa maneira entre 2005 e 2012, o Brasil da época do Lula e da Dilma Rousseff caiu na armadilha das matérias-primas”, continua Jean-Yves Carfantan. “A partir do momento em que você começa a ter recursos naturais, petróleo, agricultura, minérios, você começa a perder a razão. Você acha que está tudo resolvido, que o dinheiro vai chegar com muita facilidade, essa foi a aposta do governo federal e de vários governos estaduais, que começaram a gastar, contratar etc”, criticou.

“Se hoje houvesse uma nova elevação das cotações internacionais de commodities, acho que seria a pior coisa para o Brasil. Porque isso levaria o Brasil de novo a postergar as reformas e as mudanças necessárias após a recessão que passamos”, arrematou Carfantan. “O acordo de livre mercado entre Mercosul e União Europeia vai continuar se arrastando, até porque o Mercosul é muito enfraquecido, é um bloco que não consegue se erguer, não consegue se integrar verdadeiramente. No caso do Brasil, as dificuldades que o país tem que resolver são principalmente internas”, finalizou.

* Para ouvir a íntegra da entrevista, clique acima na foto que ilustra o artigo.

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