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Rio de Janeiro, Violência

The Guardian diz que Temer poderá tirar benefício eleitoral de intervenção no Rio

Michel Temer decreta intervenção militar no Rio de Janeiro.
Michel Temer decreta intervenção militar no Rio de Janeiro. REUTERS/Ricardo Moraes/File photo
Texto por: RFI
3 min

O jornal britânico The Guardian foi um dos primeiros da Europa a informar sobre a decisão do presidente Michel Temer de decretar uma intervenção  do Exército no Rio de Janeiro. O texto explica que a medida é inédita desde o retorno do país à democracia, porque, pela primeira vez, as Forças Armadas assumirão o controle de todas as operações de segurança e comandarão os distintos corpos policiais.

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"Roubos e tiroteios em massa durante o Carnaval, seguidos de um temporal que matou quatro pessoas e causou um caos nas ruas, aumentaram a sensação de que a cidade está ficando fora de controle", diz o Guardian. O jornal britânico observa que "intervenção militar é um assunto delicado para muitos brasileiros", embora simpatizantes de extrema-direita apoiem cada vez mais um retorno a um governo militar". O diário britânico também relata a reação de receio de muitos moradores das favelas, "que temem o policiamento a cargo de soldados sem treinamento". The Guardian lembra que a ocupação militar de 15 meses na favela da Maré terminou em junho de 2015 "sem que se tenha resolvido o problema da violência causada pelo tráfico de drogas de forma perene". 

The Guardian também destaca que enquanto a intervenção militar no Rio estiver em vigor, o Congresso não poderá aprovar alterações à Constituição, o que coloca em suspenso a reforma da Previdência. "Temer poderá tirar benefícios dessa medida", analisa. Segundo Ricardo Ismael, professor de ciências políticas na Pontifícia Universidade Católica do Rio, "Temer tentará ganhar popularidade".

O presidente, no entanto, disse que vai cessar a intervenção federal no Rio de Janeiro para a votação da reforma de previdência. 

Segurança prejudicada por crise financeira

Na França, o site da Le Point informa que o general Walter Souza Braga Neto, que já tinha dirigido as operações de segurança durante as Olimpíadas, será responsável pela intervenção do Exército. "A confusão e a total falta de coordenação da polícia durante o Carnaval levaram o presidente Temer a tomar esta decisão", explica à revista o cientista político David Fleischer, professor na Universidade de Brasília. 

Le Point esclarece que a segurança no Rio foi prejudicada pela grave crise financeira no estado, à beira da falência. "Funcionários públicos e policiais não têm recebido seus salários com frequência", ressalta a Le Point.

O jornal Le Figaro reproduz as frases de maior impacto do pronunciamento de Temer. "O crime organizado quase tomou conta do Rio de Janeiro. [...] Tomo essas medidas extremas porque as circunstâncias exigem. O governo dará respostas duras, firmes e adotará todas as providêncais necessárias para enfrentar e derrotar o crime organizado e as quadrilhas", declarou o presidente brasileiro.

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