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Ausência de programa social prejudica planos de Bolsonaro à presidência, diz Le Figaro

Apesar de estar em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, Bolsonaro perde pontos devido à ausência de programa social.
Apesar de estar em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, Bolsonaro perde pontos devido à ausência de programa social. Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

As eleições presidenciais em vários países latino-americanos neste ano intrigam o jornal francês Le Figaro desta segunda-feira (19). "América Latina: uma grande curva à direita?", questiona a publicação em sua manchete. No entanto, o diário salienta que, no Brasil, a direita ainda não tem um forte representante e Jair Bolsonaro deve perder votos devido à ausência de programa social.

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"Depois dos anos 2000, que viu a esquerda dominar a maior parte dos países da região, sob a lideraça do midiático Hugo Chávez, mas também com Nestor Kirchner na Argentina e Lula no Brasil, esses últimos anos parecem apontar para um retorno da direita ao poder", publica Le Figaro. O jornal cita como exemplo os governos do liberal Mauricio Macri na Argentina, do "homem de direita" Michel Temer no Brasil, e a recente eleição do conservador Sebastian Piñera, que sucederá a socialista Michelle Bachelet a partir de 11 de março na presidência do Chile. 

Lula é favorito

Para Le Figaro, o principal motivo do fenômeno é a violência e a corrupção, que não diminuíram nos países da América Latina com os governos de esquerda e decepcionaram o eleitorado. Mas o cenário não é assim tão óbvio, salienta o jornal. No Brasil, por exemplo, a direita só voltou ao poder porque Dilma Rousseff foi destituída e Temer era seu vice. 

Le Figaro destaca que, ironicamente, o favorito para vencer as eleições de outubro é Luiz Inácio Lula da Silva, o mentor da ex-presidente petista. "Todas as pesquisas de opinião indicam que a popularidade de Lula está intacta e supera com grande margem a de todos os outros políticos brasileiros", publica o jornal. Já o atual presidente Temer bate recordes de impopularidade, reitera, ressaltando que "ele só conseguiu se manter no poder impedindo que prosperem acusações de corrupção contra ele e a maioria dos parlamentares brasileiros". 

Porém Lula não conseguiu fazer o mesmo, continua Le Figaro, lembrando que o líder petista teve sua condenação aumentada no julgamento em segunda instância do 24 de janeiro. Entretanto, o jornal explica que Lula ainda pode recorrer e apresentar sua candidatura, ou ainda passar a tarefa de representar a esquerda a outro candidato do PT. Segundo o diário, a popularidade do ex-presidente se deve sobretudo ao sucesso dos programas sociais empregados durante seus mandatos. 

Bolsonaro em segundo lugar nas pesquisas

Atrás dele, em segundo lugar nas intenções de voto, vem o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro. Mas é justamente a ausência de um programa social que pode impedir que ele se eleja, em um país onde 70% dos eleitores têm um salário mensal inferior a R$ 1.860. 

Outro fenômeno deve marcar a campanha eleitoral no Brasil: o aumento dos evangélicos na política. É o que diz Olivier Dabène, presidente do Observatório Político da América Latina e do Caribe, da Sciences Po de Paris. Segundo ele, na maioria dos países latino-americanos, a interferência da igreja Universal na política pode criar um novo eleitorado de direita. 

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