Um pulo em Paris

Aumento da violência e radicalização política no Brasil preocupam imprensa francesa

Áudio 05:08
Simpatizantes de Jair Bolsonaro imobilizam Adélio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou o candidato da extrema direita.
Simpatizantes de Jair Bolsonaro imobilizam Adélio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou o candidato da extrema direita. Felipe Couri / Minas Tribune / via REUTERS

A tentativa de assassinato do candidato Jair Bolsonaro teve repercussão imediata na imprensa francesa. Para o jornal Le Monde, que acompanha quase diariamente a campanha no Brasil, os danos políticos do ataque são "incalculáveis". O incidente "poderia radicalizar ainda mais os militantes da extrema-direita que fizeram da esquerda seu pior inimigo e reforçar ainda mais as tensões em um país abalado pela crise e em frangalhos depois da polêmica destituição da presidente Dilma Rousseff", escreve o jornal.

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Cientistas políticos e historiadores ouvidos pela mídia francesa cogitam que o impacto imediato mais provável é o de um maior apoio eleitoral ao candidato. Mas ninguém arrisca dizer se isso vai durar com o tempo, o que torna o desfecho eleitoral brasileiro ainda mais imprevisível.

O aumento da violência já estava presente nas eleições de 2016, quando 28  políticos morreram em ataques a tiros, 15 deles em plena campanha. A execução da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), em 14 de março passado, expôs a conexão entre a política e o crime organizado, lembrou em entrevista à RFI a historiadora Armelle Enders, professora de história contemporânea da universidade Paris VIII, especializada em Brasil e América do Sul. Poucos dias depois, a caravana do então pré-candidato do PT à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, era alvejada por tiros no Paraná.

A intensificação da violência torna as eleições de 2018 ainda mais incertas.

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