Brasil

Nova pesquisa Ibope confirma tendência de segundo turno entre Bolsonaro e Haddad

A transferência de votos do ex-presidente Lula para Fernando Haddad aparenta dar resultado.
A transferência de votos do ex-presidente Lula para Fernando Haddad aparenta dar resultado. REUTERS/Rodolfo Buhrer

Jair Bolsonaro (PSL) se mantém na liderança do primeiro turno da eleição presidencial com 28% das intenções de voto, segundo nova pesquisa Ibope divulgada na noite de terça-feira (18). O petista Fernando Haddad disparou: cresceu 11 pontos em uma semana e aparece isolado em segundo lugar, com 19% da preferência do eleitorado.

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Enviada da RFI a São Paulo

Com dois pontos percentuais a mais que na semana anterior, o candidato da extrema direita aparenta estar com um eleitorado cristalizado. O pedetista Ciro Gomes manteve os 11% que registrou na sondagem de terça-feira passada (11), enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) recuou de 9% para 7%, assim como Marina Silva, que caiu de 9% para 6%.

A situação de Ciro piorou com o processo de transferência de votos do ex-presidente Lula para Haddad, estratégia que parece estar dando certo.

Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, Ciro e Alckmin estão tecnicamente empatados, assim como Alckmin e Marina.

O Ibope também mediu a rejeição aos candidatos. Bolsonaro permanece como o mais rejeitado e passou de 41% para 42%. Já o petista Haddad subiu seis pontos percentuais, de 23% para 29%.

Voto antissistema

Poucas horas antes da publicação da sondagem, a RFI conversou com o professor do Departamento de Ciência Política da USP, Glauco Peres da Silva. Segundo ele, Bolsonaro tem um grupo de eleitores que é antissistema, que projeta nele um sentimento de ordem e de capacidade de organização. Essa imagem já está construída e não tem sido afetada pela ausência de campanha nas ruas ou em debates na televisão.“Falar coisas absolutamente fascistas não causam nenhum problema a ele", destaca.

“Hoje, Bolsonaro é o candidato da extrema direita e, para o eleitor que está convencido em votar nele, isso não faz diferença, ele já superou muitas dificuldades”, explica o professor da USP.

Para o especialista, está difícil descobrir onde Bolsonaro pode perder votos. "A estratégia dele está funcionando”, constata. O candidato do PSL vem crescendo mesmo sem dispor de tempo na televisão. Nesta eleição, diminuíram os recursos para os candidatos, uma situação que favorece naturalmente a internet, ferramenta relativamente universal e abrangente. Esse já era o campo privilegiado por Bolsonaro antes do atentado e do início da propaganda eleitoral na TV.

Petismo x antipetismo?

Um provável segundo turno entre Bolsonaro e Haddad não surpreende o professor da USP. Questionado se o duelo seria uma espécie de plebiscito entre petismo e antipetismo, Glauco Peres analisa esse cenário por um outro ângulo.

“Se tivermos novamente uma eleição com o PT indo para o segundo turno contra quem quer que seja – Bolsonaro ou outro candidato –, será uma repetição do comportamento do eleitorado que prevaleceu desde 1994, com o PT sempre disputando o segundo turno. “A gente não acreditava mais que isto iria acontecer nesta eleição dado o contexto dela, de pulverização, com o ex-presidente Lula preso. Mas acho difícil pensarmos num plebiscito no sentido de que estamos referendando ou não o petismo; me parece mais a recorrência de um padrão”, disse.

Em termos de discussão de programas, o economista considera que esta eleição está muito pior do que as anteriores. “A discussão se vamos manter o Bolsa Família ou não, a reforma da Previdência, o teto fiscal, tudo isso parece secundário para o eleitor”, afirma.

“A população foi desanimando, se chateando, criando uma determinada animosidade. Os personagens foram se encaixando e isso parece ter impactado para ela votar em A ou B. Não parece haver uma decisão refletida a partir de grandes debates, apesar do desemprego e da crise econômica”, conclui Glauco Peres.

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