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“PT não promoveu alfabetização política no Brasil”, diz Frei Betto

Áudio 10:54
O escritor e assessor de movimentos sociais Frei Betto de passagem por Paris
O escritor e assessor de movimentos sociais Frei Betto de passagem por Paris RFI
Por: Silvano Mendes
14 min

O frade dominicano Frei Betto está de passagem por Paris, onde participa de um evento organizado pela associação cultural francesa Autres Brésils. Militante e autor prolífico, ele é conhecido por sua proximidade com o Partido dos Trabalhadores (PT), mesmo se não poupa críticas à legenda que dirigiu o país durante 13 anos.

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Frei Betto foi conselheiro especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e participou da implementação do programa Fome Zero, que acompanhou durante os dois primeiros anos de sua execução. Depois disso, manteve sua posição de pensador engajado da esquerda no Brasil, inclusive durante a campanha presidencial, quando publicou alguns textos e declarações contrários à eleição de Jair Bolsonaro.

Agora, às vésperas da posse do chefe de Estado eleito, ele fala de um “resultado democrático”, já que a vitória de Bolsonaro foi conquistada graças a 57 milhões de votos, contra 47 milhões para Fernando Haddad. No entanto, pondera, “30 milhões de eleitores não votaram em nenhum dos dois, ou seja, não se pode dizer que Bolsonaro é realmente o candidato preferido dos eleitores brasileiros”.

Para ele, o resultado das urnas é fruto de uma falta de cultura política no Brasil, da qual o Partido dos Trabalhos tem uma parte de responsabilidade. Segundo ele,“o PT fez o melhor governo da nossa história republicana, porém cometeu alguns equívocos, entre eles o de não ter promovido a alfabetização política do nosso povo”. Para o frade, “criou-se muito mais uma mentalidade de consumista do que de cidadão protagonista político”.

Herança da escravatura

Questionado sobre as críticas feitas durante a campanha ao Bolsa Família, programa criado na esteira do Fome Zero, que ele ajudou a lançar, Frei Betto é categórico: “A aversão ao Bolsa Família vem de uma herança da escravatura, que a classe média e a classe alta brasileira ainda guardam, de que é um absurdo os mais pobres se promoverem”.

Segundo ele, o preconceito de classe foi o principal inimigo do programa social, elogiado fora do Brasil mas criticado pelos opositores do PT. “Uma dona de casa não suporta a ideia de que sua faxineira chegue para trabalhar de carro e um empresário não suporta a ideia de encontrar num voo de São Paulo para Paris o porteiro de seu prédio. Nós ainda estamos numa situação de profundos preconceitos que vêm da escravatura e que não foram superados”.

Ouça a entrevista completa clicando na foto acima ou assista o vídeo.  

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