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Alemanha/Exército

Socialdemocratas de Berlim aprovam resolução contra visita de militares às escolas

Soldados alemães no Palácio Bellevue, Berlim, em 21 de fevereiro de 2019.
Soldados alemães no Palácio Bellevue, Berlim, em 21 de fevereiro de 2019. John MACDOUGALL / AFP
Texto por: RFI
3 min

A proposta foi feita pelo departamento de Spandau, um distrito da parte ocidental de Berlim. No sábado, 30 de março, no Congresso do Partido Social-Democrata de Berlim (SPD), a seção aprovou uma resolução proibindo visitas de representantes do Exército alemão, o chamado Bundeswehr às escolas de ensino primário e médio, assim como outros estabelecimentos de ensino na Alemanha.

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"Não queremos propaganda para matar ou morrer. É por isso que pedimos o fim imediato de campanhas de organizações militares em escolas e faculdades alemãs ", diz o texto, que foi endossado pela maioria dos deputados socialdemocratas de Berlim.

Na Alemanha, as intervenções dos representantes do Exército nas escolas não são obrigatórias. No entanto, cerca de 11.000 reuniões foram realizadas na Alemanha, junto a cerca de 260.000 estudantes apenas em 2015, de acordo com os autores da resolução. Segundo eles, os estudantes não têm idade suficiente para serem apresentados a homens com uniforme militar. "Estudantes são vulneráveis à propaganda militar e à fala banalizando os reais perigos da intervenção armada", diz a resolução dos socialdemocratas de Berlim.

Desde a sua adoção no sábado, as reações a este texto – onde os autores dizem que as intervenções do Exército alemão seriam, de fato, campanhas de recrutamento disfarçadas - têm sido fortes e numerosas. Sem surpresa, os conservadores condenaram a resolução por unanimidade, começando com Ursula von der Leyen, a ministra da Defesa do partido de Angela Merkel, o CDU, que considerou o texto "um soco na cara de todos os soldados alemães".

Disputa interna

Dentro do próprio SPD, muitos manifestaram sua discordância, incluindo a presidente do partido, Andrea Nahles, que, nesta segunda-feira (2), após dois dias de polêmica, lembrou que "os soldados continuam sendo bem-vindos nas escolas". Qual seria o futuro da resolução? Segundo o jornal Le Monde, seria cedo para avaliar. Devido à polêmica criada dentro de seu próprio partido, o prefeito de Berlim, Michael Muller (SPD), preferiu não se manifestar se pretendia votar a resolução dentro de sua coalizão, composta pelos ecologistas do Partido Verde e pelo partido da esquerda radical, o Die Linke.

No momento em que os principais partidos da coalizão que governa a Alemanha, os conservadores do CDU de Merkel, e os socialdemocratas do SPD se encontram em lados opostos da mesa de negociação, desde em questões como o orçamento para a Defesa e às exportações de armas para a Arábia Saudita, este texto é um lembrete de como parte da socialdemocracia alemã permanece sensível ao antimilitarismo, especialmente quando o SPD procura remobilizar sua base.

É o caso hoje, em toda a Alemanha e particularmente em Berlim, onde o partido socialdemocrata é creditado com apenas 16% a 18% de intenções de votos nas próximas eleições regionais, previstas para 2021, arriscando pela primeira vez a perder a liderança para os Verdes e o Die Linke.

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