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Karim Aïnouz: "Sonho que meu filme mostre o lado tóxico do patriarcado"

O cineasta brasileiro Karim Aïnouz apresenta seu filma na seleção Um Certo Olhar do Festival de Cannes
O cineasta brasileiro Karim Aïnouz apresenta seu filma na seleção Um Certo Olhar do Festival de Cannes REUTERS/Stephane Mahe
Por: Silvano Mendes

O Brasil participa da competição Um Certo Olhar (Un Certain Regard) com o filme “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”. A adaptação do livro homônimo de Martha Batalha é dirigida por Karim Aïnouz. Em entrevista exclusiva à RFI, o cineasta fala sobre o projeto que, apesar de ser um drama de família, ganha ares políticos no momento atual do Brasil.

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Enviado especial a Cannes

A trama é apresentada no exterior como um melodrama tropical. Ambientado no Rio de Janeiro dos anos 1950, ele conta a história de duas irmãs separadas pelo destino.

“O filme fala de um tema absolutamente universal que é a solidariedade” explica o diretor cearense. “Mas ao mesmo tempo, era muito importante que ele transpirasse um certo DNA brasileiro. Que fosse um filme que a gente visse e soubesse que é universal, mas que só poderia se passar em um lugar do mundo”.

Esse DNA brasileiro vem, entre outras coisas, das belas imagens do Rio de Janeiro de época, como o diretor já mostrou que sabe criar desde “Madama Satã”, filme que o revelou para o mundo em 2002, também no festival de Cannes. Mas a cor local aparece também no retrato de uma sociedade brasileira dividida entre tradições europeias e ritmos locais e um certo conservadorismo ilustrado principalmente pelo papel da mulher na sociedade.

As personagens principais sofrem durante toda a história da opressão masculina, seja por parte dos pais, dos maridos ou dos colegas de trabalho. “Tem sempre uma dimensão política”, afirma Aïnouz. “No caso desse filme, meu sonho é que ele consiga falar do patriarcado e o quão tóxico ele pode ser”, continua, defendendo que se uma revolução deve acontecer, ela será feminina, em contrapartida aos “desastres que o patriarcado causou e vem causando no mundo”.

Retorno da intolerância no Brasil

Aïnouz vive atualmente em Berlim, mas acompanha de perto a atualidade brasileira. Questionado sobre os anúncios de possíveis cortes no orçamento da cultura, o diretor é crítico, mas lembra que o problema no país é muito mais profundo.  

“Tem uma questão anterior, que é a da intolerância. O Brasil está atravessando uma fase onde a intolerância e um certo conservadorismo estão pautando as agendas e isso pode ser muito prejudicial para a cultura, pois a cultura é justamente o lugar da invenção, do sonho e de novas possibilidades”, comenta. Mas Aïnouz prefere ser otimista. “A gente passa por um momento muito delicado. Mas a imaginação que a gente tem, como país, é muito maior do que isso”, finaliza.

Assista a entrevista completa abaixo.

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