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Artista plástico Oscar Oiwa expõe em Paris obras de três cidades ligadas pelas Olimpíadas

Áudio 06:57
Oscar Oiwa, artista plástico, diante de uma de suas obras na Maison de la Culture du Japon, em Paris.
Oscar Oiwa, artista plástico, diante de uma de suas obras na Maison de la Culture du Japon, em Paris. RFI/Elcio Ramalho
Por: Elcio Ramalho
13 min

A exposição "Rio, Tóquio, Paris – cidades, Jogos”, marca a volta do artista plástico brasileiro de origem japonesa Oscar Oiwa à capital francesa. Seu trabalho exibido a partir desta quarta-feira (18), na Maison de la Culture du Japon (Casa da Cultura do Japão) retrata sua percepção de três cidades muito diferentes,  mas ligadas pelo maior evento esportivo do planeta: as Olimpíadas.  

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Arquiteto de formação, Oscar Oiwa é nascido em São Paulo e deixou o país durante a crise dos anos 1990 para se instalar em Tóquio. Atualmente vive em Nova York, onde realizou em seu ateliê, em apenas dois meses, as obras que compõe a exposição: sete telas e um grande mural desenhado em preto e branco.

Ele já expôs algumas obras em galerias parisienses, mas é a primeira vez, em mais de cinco anos, que ganhou um espaço para apresentar uma exposição completa dedicada ao seu trabalho.

A diretora artística de mostra da Maison de la Culture du Japon em Paris, Aomi Okabe, refletiu sobre um tema que unisse a vivência do artista e relação entre as três cidades, e assim surgiu a ideia das Olimpíadas. Rio, do país natal de Oiwa, sediou o evento em 2016, Tóquio vai acolher os Jogos no ano que vem, e depois passará o bastão para Paris, em 2024.

“Tanto no Rio como em Tóquio, há muita polêmica porque movimenta muito dinheiro e política. Mas é um evento que acaba, bem ou mal, unindo o mundo inteiro. Quis pegar esse lado internacional dos Jogos, que movimenta as pessoas”, explicou.

Cada painel retrata uma cidade, com seus símbolos, problemáticas e questões relacionadas com as Olimpíadas. Mas o trabalho teve que superar alguns obstáculos. “Tudo o que é relacionado com o evento como a marca, a palavra Olimpíadas, os atletas, tudo tem direitos autorais e não pode ser representado. Ou seja, é muito difícil representar as Olimpíadas sem retratar atletas, mascotes. Então direcionei para o passado, à antiga Olímpia, aos jogos da Antiguidade na Grécia”.

São duas telas sobre o Rio, “Maracanã”, que faz referência direta ao desejo de muitas crianças de serem jogadoras de futebol, e  “Praia”, que ilustra um fragmento da vida urbana carioca: uma mesa de bar de domingo com uma tela de televisão transmitindo um evento esportivo.

Tóquio é retratada em telas que mostram a entrada de uma casa e a disposição de objetos que simbolizam a relação de moradores com atividades esportivas e um centro de treinamento de boxe.

Paris, cenário de três telas, traz referência ao espírito revolucionário dos franceses e aos movimentos sociais recentes, que levaram violência às ruas. “Quis retratar o lado de Paris que sempre está em chamas. Quis associar a chama da revolução do espírito francês com a chama olímpica”, justificou.

Mas uma das telas utiliza doces da confeitaria para fazer alusão aos cinco anéis olímpicos, um artíficio sutil para driblar a proibição de usar a marca do evento.

O mural de cerca de 20 metros de largura e três de altura é a obra mais emblemática da exposição. Oscar resgatou uma técnica japonesa de painéis que se desenrolam e são vistos da direita para a esquerda.

São três obras, que podem ser vistas horizontalmente, de maneira independente, mas que se observadas juntas na vertical, como mostra o desenho original, formam uma peça única, representando Zeus, o Deus do Olimpo.

“Normalmente eu tenho uma ideia meio vaga, sem foco. Eu começo a pensar, pesquisar, vou ao lugar, começo a ler e ver filmes e contato pessoas para confirmar o tema. Em seguida procuro a informação visual, depois transfiro para os desenhos ou telas grandes”, diz Oscar sobre seu processo criativo.

Paralelamente à exposição na capital francesa, uma instalação de do artista é exibida do Centro de Arte Hangar, em Bruxelas.

Seu novo projeto o levará a Xangai, onde vai fazer uma obra tridimensional monumental e permanente em um parque criado em uma área revitalizada ao lado do rio que corta a cidade. A perspectiva de voltar a expor no Brasil ainda está distante. “O país está em crise, não tem dinheiro, as pessoas marcam e desmarcam. Está meio devagar, mas quero ir para o Brasil também”, diz.  

A exposição “Rio, Tóquio, Paris – cidades, Jogos” ficará aberta ao público na Maison du Japon até o dia 14 de dezembro de 2019. 

Clique abaixo para ver a íntegra da entrevista

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