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Marina Silva: Brasil faz chantagem “mercenária" na COP 25 em troca de preservar a Amazônia

Áudio 07:19
Marina Silva tem participado de atividades da COP 25, em Madri.
Marina Silva tem participado de atividades da COP 25, em Madri. RFI
Por: Lúcia Müzell
11 min

A ex-ministra do Meio Ambiente (2003-2008) e ex-senadora (1995-2011) Marina Silva há algum tempo não ocupa cargos políticos. No entanto, quando se trata de falar sobre as questões ambientais, ela é figura obrigatória no cenário internacional. Circulando à vontade nos corredores da Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas (COP 25), em Madri, Marina Silva conversou com a RFI sobre a política ambiental do governo Bolsonaro, Amazônia e a influência negativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na agenda climática mundial.

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*Para ver a entrevista na íntegra, clique no vídeo abaixo

Marina Silva, que participou de momentos emblemáticos da construção do acordo climático, como a histórica conferência de Copenhague, em 2009, acredita que "tudo que foi construído ao longo de décadas agora foi desconstruído, com o governo Bolsonaro e o ministro Ricardo Salles”.

“O Brasil diz que só vai cumprir metas de desmatamento se tiver dinheiro dos países ricos, numa espécie de chantagem para fazer o dever de casa com o qual havia se comprometido", aponta a ex-ministra do Meio Ambiente do segundo governo Lula.

Fundo Amazônia

Ela relembra que, em um período de 10 anos que incluiu a sua gestão da pasta, o desmatamento foi reduzido em 83%. Também nesta época, foi criado o Fundo Amazônia, com doação de recursos da Noruega e da Alemanha - ajuda financeira  agora bloqueada por divergência entre Oslo, Berlim e Brasília sobre a gestão dos recursos. 

A floresta, alega Marina, promove o equilíbrio das chuvas no Brasil - que favorece a vitalidade da agricultura, motor do crescimento do país. A Amazônia, afirma, ainda responde por 70% do PIB da região, incluindo os demais países amazônicos. 

“Aqui, Salles diz que só vai proteger toda essa riqueza se alguém pagar. É uma visão mercenária do compromisso de proteger a Amazônia”, critica a ambientalista, que tem participado diariamente de eventos na COP 25. 

Amazônia é como filha do Brasil

"Eu posso até buscar ajuda para cuidar do meu filho, dar a ele uma educação e uma saúde melhor. Mas eu não posso exigir que as pessoas me paguem para cuidar do meu filho, porque eu o amo e vou cuidar dele independentemente daqueles que me pagarão alguma coisa", compara a ex-ministra.

Perguntada sobre sua relação com o atual ministro do Meio Ambiente, Marina afirmou que não conversa com Salles porque ele “não trabalha com a verdade”, ao acusar as ONGs de colocar fogo na Amazônia e de despejar óleo no Nordeste, entre outros exemplos. ”Ele sabe da verdade, mas tergiversa. Ele busca o embate para fortalecer as narrativas que ele cria", pontua.

Brasil se tornou um dos países que dificultam negociações

Marina Silva ainda comenta ainda a influência negativa do governo de Donald Trump sobre as negociações climáticas. Os Estados Unidos sempre tiveram uma posição contrária ao avanço dos compromissos para  reduzir as emissões de gases de efeito estufa - mesmo na era Obama. 

Entretanto, a ala negacionista das mudanças climáticas, que ganhou uma força força inédita sob Trum, agora impacta também em outros países apoiadores do americano, como o Brasil. Pouco antes da COP 25, Washington se retirou do Acordo de Paris sobre o Clima, que passará a valer em 2020.

“O governo Bolsonaro é totalmente caudatário, subordinado à visão americana em muitos aspectos, inclusive na climática, ao ponto de até se reivindicarem negacionistas também. Agora temos uma potência ambiental como o Brasil que também dificulta as negociações”, nota a ex-ministra.  

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