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Economia

2020: a economia brasileira vai enfim deslanchar?

Áudio 05:15
Eleições municipais no Brasil deve desacelerar o ritmo de reformas de Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, em 2020.
Eleições municipais no Brasil deve desacelerar o ritmo de reformas de Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, em 2020. REUTERS/Adriano Machado
Por: Lúcia Müzell
10 min

Depois de um duro ano de 2019, há um certo consenso entre os analistas de que 2020 tende a trazer boas notícias para a economia brasileira. A queda histórica dos juros, que se encontram em inéditos 4,5% ao ano, agora precisa se refletir na vida real, reanimando a atividade e estimulando o consumo.

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A retomada avança em ritmo lento, mas segundo o diretor-geral do Ibmec São Paulo, Reginaldo Nogueira, os indicativos a partir do segundo semestre mostram que o novo ano tem tudo para ser melhor do que o que passou.

“A situação do déficit hoje é melhor do que há um ano, a gente conseguiu avançar a agenda fiscal, os juros são menores e têm perspectivas de manutenção nesse patamar, o investimento vem crescendo nos últimos dois trimestres – e isso tem puxado a economia”, resume o doutor pela Universidade de Kent, do Reino Unido.

A inflação baixa, de 3,6%, contribui para esse cenário. O juro real de 2020 deve ser inferior a 1% ao ano, o que possibilita uma maior abertura ao risco nos investimentos e agitação no mercado imobiliário e a construção civil. As projeções de crescimento econômico giram em torno de 2 a 2,5% - índice que o país não registra desde 2014.  

Tudo isso, em princípio, deverá ajudar a baixar o desemprego, calcanhar de Aquiles do governo. Embora esteja em queda, o índice ainda atingiu 11,2% da população ativa em novembro.

“O mercado todo avançou muito: a bolsa bateu recordes, os juros caíram lá embaixo. Agora o que precisamos não é o governo ir: é a economia acompanhar”, comenta André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton. “As pessoas compraram os ativos na expectativa de serem remuneradas a uma boa taxa. Isso vai ser interessante de observar no ano que vem.”

Cautela de investidores externos permanece

Apesar dos avanços, do lado de fora, os investidores estrangeiros permanecem cautelosos em relação ao Brasil. Economias emergentes mais maduras, como China, Índia e Rússia, seguem captando mais atenção do que o Brasil, que têm dificuldades em recuperar a confiança externa, observa Wilber Colmeräuer, fundador da EM Funding, de Londres.

“2020 é um ano decisivo e muito importante. Se a economia tiver um desempenho razoável – não precisa ser espetacular –, acho que, paulatinamente, o interesse externo deve aumentar”, avalia o especialista. “Porém se, por qualquer que seja a razão, a performance econômica não for boa, talvez tenhamos um problema maior em função dessa visão de que existem coisas importantes que precisam ser esclarecidas no Brasil. Há uma confusão de retórica, um problema de comunicação: o país não tem tido capacidade de explicar as atividades econômicas e o planejamento do que está sendo executado.”

Eleições municipais à vista

No plano interno, as eleições municipais devem forçar um pé no freio nas reformas econômicas e fiscais promovidas pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. As dificuldades de negociação do governo Bolsonaro tendem a permanecer, pontua Reginaldo Nogueira. “O risco político continua. O ajuste precisa avançar, afinal o governo não tem dinheiro para gastar. Ele vai precisar de apoio do Congresso em um ano que é de eleições municipais”, afirma. “Ou seja, internamente, a situação política brasileira vai dominar muito a discussão: a relação do governo com o Congresso, a falta de base.”  

O país também se fragiliza pela instabilidade regional grande em parceiros importantes como Argentina, em transição política e com ameaça de calote à dívida, e o Chile, agitado há meses por protestos sociais. Além disso, a expectativa quanto às eleições americanas e o fim da guerra comercial entre Estados Unidos e China são dois temas que concentrarão as atenções.

Ainda na conjuntura internacional, os analistas ressaltam: os juros tão baixos no mundo são uma anomalia que não poderá mais se prolongar. “O instrumento de juros chegou num limite, tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo. Na Europa, estamos com juros negativos para todos os lados”, nota André Perfeito. “Aqui no Brasil, ninguém espera que caia muito mais do que os atuais 4,5% A corda dos juros já foi toda esticada.”

Esse cenário faz com que os brasileiros devam se acostumar com um câmbio alto. “O dólar alto veio para ficar. Devemos permanecer com uma taxa bastante elevada e isso deve se manter por mais algum tempo”, ressalta o diretor-geral do Ibmec.

A moeda americana chegou a subir 10% no ano, mas fechou 2019 em alta de 3,5%, cotada a R$ 4,013 na venda do dólar comercial.

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