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Polêmicas de Bolsonaro podem servir de lição para evitar racismo futuro, diz sociólogo

Áudio 18:24
O sociólogo Antonio Sérgio Alfredo Guimarães nos estúdio da RFI em Paris.
O sociólogo Antonio Sérgio Alfredo Guimarães nos estúdio da RFI em Paris. RFI
Por: RFI
21 min

O sociólogo francês Antonio Sérgio Alfredo Guimarães deu uma conferência nesta quarta-feira (29) em Paris, a convite do Grupo de reflexão sobre o Brasil contemporâneo. De passagem pelos estúdios da RFI nesta quinta-feira (30), o professor da USP falou sobre a questão do racismo, uma de suas especialidades.

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A polêmica recente envolvendo o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, acusado de racismo pela líder indígena Sônia Guajajara após um discurso no qual o chefe de Estado dizia que “índio é um ser humano igual a nós”, foi mais um exemplo de quão delicada é a questão racial no Brasil.

Mas será que existe, como teoriza o sociólogo Edward Eric Telles, um “racismo à brasileira”? “Se a gente define racismo como tolher oportunidades de vida de uma parte da população baseado na ideia de raça, sim, nós temos racismo”, lança Antonio Sérgio Alfredo Guimarães, autor de livros como Racismo e Anti-racismo no Brasil, ou ainda Classes, Raças e Democracia. “Mas se a gente definir racismo pelo discurso, não só de ódio, mas pelo discurso explícito de diferenças raciais, esse racismo deixa de ser tão explícito. Ele geralmente tem uma etiqueta de comportamento, que tolhe esses excessos”, pondera.

Questionado sobre a repercussão que pode ter a reputação de um presidente acusado de racismo, inclusive fora do país, o sociólogo aponta a falta de referências do atual chefe de Estado, desde a corrida eleitoral. “O candidato era uma pessoa muito tosca do ponto de vista cultural”, afirma. Para o professor, Bolsonaro, “como uma pessoa com pouca familiaridade com o mundo cultural, se expressava de uma maneira muito grosseira pontos de vista totalmente etnocêntricos e racistas”.

Mas o professor é otimista e vê um lado positivo nessa situação. “Eu espero que tenha um efeito educativo. E que, se continuar pensando do mesmo jeito, não o expresse da mesma maneira”, pontua. “O que a gente espera é que o presidente atual e todo seu entorno aprenda a respeitar os demais brasileiros”, finaliza.

Ouça a entrevista completa clicando acima no botão “Audio”.

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